MP vê ligação de empreiteiro com PCC

Justiça aceita denúncia contra empresário e outros 7 réus sob acusação de formação de quadrilha para lavar dinheiro de drogas e armas

Marcelo Godoy, Bruno Tavares, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2010 | 00h00

A Justiça abriu processo contra o empreiteiro Flauzio dos Santos Santana, de 43 anos, e outros sete réus sob acusação de terem formado uma quadrilha para lavar dinheiro do tráfico de drogas e armas. A denúncia da Promotoria diz que por trás da fachada de empresário se esconde um homem que em 2008 "passou a prestar contas ao representante do setor de disciplina do Primeiro Comando da Capital (PCC)".

Esta é a primeira vez que o MPE acusa um empreiteiro de ligação com a facção. Investigado pelas Polícias Federal e Civil e Receitas Federal e Estadual, Flauzio responde ao processo em liberdade e nega os crimes e a suposta relação com o PCC. Seus advogados foram intimados a apresentar a defesa prévia. Ele nunca foi flagrado com drogas ou armas pela polícia.

Relatório da PF diz que Flauzio usava um celular para conversas sigilosas e outro para negócios lícitos. Segundo o Grupo de Atuação Especial de Repressão a Delitos Econômicos (Gedec), ele movimentou R$ 165 milhões em suas empresas entre 2000 e 2005 por meio de uma construtora, indústria de embalagem, fazenda e loja de carros.

Agora os promotores querem sequestrar seu patrimônio - 18 veículos - entre eles, um Porsche, uma Ferrari Modena e um BMW X5 -, além de imóveis e empresas. Só as empresas Marecar Veículos, Taís Veículos e Artec Praia Grande teriam movimentado R$ 100 milhões - só a última está em nome de Flauzio.

Segundo o Gedec, embora as demais empresas estejam em nomes de laranjas, Flauzio usou as contas delas para movimentar dinheiro. "É certo que o capital movimentado pelas empresas não contou com respaldo nas receitas declaradas à Receita Federal e tampouco provém de atividade econômica legítima", afirma a denúncia assinada pelos promotores Arthur Pinto de Lemos Junior, Gilberto Leme Garcia e Cássio Conserino.

Flauzio mesclaria o dinheiro do crime com o capital das empresas, especialmente na construção de prédios. Ele teria lavado o dinheiro comprando carros de luxo, embarcações. Segundo a acusação, ele começou no tráfico de drogas em 2000 - conversas suas sobre supostas remessas de drogas foram gravadas pela polícia. Em junho de 2008, ele teria sido surpreendido participando de uma teleconferência com bandidos do PCC.

Flauzio também aceitaria droga em troca de imóveis. Ele lavaria dinheiro superfaturando a venda de imóveis. Por uma casa de 500 m² na Praia Grande ele declarou ter recebido R$ 2 milhões. O comprador contou aos promotores que pagou R$ 700 mil. Flauzio teria usado a operação para lavar R$ 1,3 milhão.

Membro da facção pega 46 anos por morte de bombeiro

}

Lamberto José de Carvalho Alves foi condenado a 46 anos e 2 meses de prisão pela morte do bombeiro João Alberto da Costa, de 40 anos, em maio de 2006, durante os ataques da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) em São Paulo. A condenação inclui ainda duas tentativas de homicídio, formação de quadrilha e porte ilegal de arma. A pena foi ampliada por motivo torpe e impossibilidade de defesa das vítimas. O júri recebeu identificação numérica e a segurança foi reforçada por causa de denúncia sobre possível resgate do réu. / BRUNO LUPION

PONTOS-CHAVE

Empresas

Relatório da Fazenda estadual aponta sete empresas em nome de Flauzio dos Santos Santana e sua mulher, Cristiana Ferreira de Santana. Entre elas, construtoras, lojas de veículos e até um hospital na Praia Grande, na Baixada Santista

Veículos

Doze veículos foram detectados em nome do empresário ou das empresas que ele aparece como sócio. São modelos de luxo de marcas como Audi, Volvo, Pajero e uma Ferrari Modena. Na lista também há motos da Honda

Dívida

A inteligência fiscal da Secretaria Estadual da Fazenda encontrou registro de dívidas no valor de R$ 14,8 mil vinculadas a uma das empresas de Flauzio dos Santos Santana. Trata-se de ICMS declarado, mas que não foi recolhido

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.