Google Street View/Reprodução
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MP-SP denuncia por homicídio motorista de BMW que atropelou mãe e dois filhos

Segundo a promotoria, Mohamed Abdul Hadi Hassan Zoghbi estava com carteira de habilitação suspensa e atropelou vítimas em faixa de pedestre

O Estado de S.Paulo

03 Dezembro 2018 | 20h50

SÃO PAULO - O Ministério Púbico de São Paulo (MP-SP) denunciou por homicídio qualificado o comerciante Mohamed Abdul Hadi Hassan Zoghbi, que atropelou quatro pessoas de uma mesma família em junho. A mãe e duas crianças morreram. Segundo a promotoria, ele teria tentado fugir do local sem prestar socorro e estava dirigindo uma BMW com a carteira de habilitação suspensa. 

Na ocasião, o comerciante atingiu e matou Cristina Aparecida Solange Coelho, de 43 anos, que atravessava uma faixa de pedestre com três filhos. As crianças Camila Poliana Silva, de 9, e João Victor Silva, de apenas um ano, também não resistiram aos ferimentos. Outro menino de 9 anos foi atingido, mas sobreviveu.

A promotora de Justiça Soraia Munhoz apresentou a denúncia na última sexta-feira, 30, por três homicídios qualificados e uma tentativa de homicídio, com agravante de terem sido cometidos contra crianças. Segundo a acusação, Zoghbi "tentou se evadir do local sem prestar socorro às vítimas, tendo sido impedido por outros condutores que presenciaram o atropelamento e saíram em seu encalço".

Durante investigações policiais, testemunhas teriam afirmado que o comerciante dirigia em velocidade superior ao permitido - 50 km/hora - na Avenida Carlos Caldeira, região do Campo Limpo, na zona sul de São Paulo. O bafômetro, no entanto, não apontou que o motorista havia ingerido bebida alcoólica.

"O crime resultou perigo comum, pois colocou em risco a vida de várias pessoas que transitavam em veículos e motocicletas pelo local", diz a denúncia. Se for aceita pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), Zoghbi também responderá por infração ao Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

O advogado Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, que representa o comerciante, defende que Zoghbi não teria assumido o risco de matar, ao contrário do que afirma a promotoria. "Espero que no curso do processo nós consigamos demonstrar que não houve dolo eventual. Houve, quando muito, culpa. Ele não quis e nem assumiu o risco de matar alguém", diz.

Embora tenha sido preso na época, Zoghbi recebeu liberdade provisória após o TJ-SP acatar pedido de habeas corpus em julho."Pode ter agido por imprudência, imperícia ou negligência. No caso, seria mais imprudência, e isso desclassifica o delito", afirma o advogado.

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