MP-SP denuncia ativistas presos em protesto contra a Copa

Fábio Hideki Harano, de 26 anos, e Rafael Marques Lusvargh, de 29 anos, foram presos em flagrante e indiciados por associação criminosa no dia 23 de junho na Avenida Paulista

O Estado de S.Paulo

12 Julho 2014 | 11h39

 SÃO PAULO - O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou nesta sexta-feira, 11, dois ativistas presos em um protesto contra a realização da Copa do Mundo em São Paulo. O funcionário da Universidade de São Paulo (USP) Fábio Hideki Harano, de 26 anos, e o professor Rafael Marques Lusvargh, de 29 anos foram presos em flagrante e indiciados por associação criminosa no dia 23 de junho na Avenida Paulista, região central da cidade.

Os Promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do MP-SP e a Promotoria de Justiça Criminal da Capital denunciaram Harano pela prática dos crimes de incitação ao crime, associação criminosa armada, desobediência e posse de artefato explosivo. Se condenado por todos os crimes, sua pena pode variar de 5 a 13 anos de prisão, de acordo com a promotoria.

Lusvargh foi denunciado pela prática dos crimes de incitação ao crime, associação criminosa armada, resistência e posse de artefato explosivo. Se condenado por todos os crimes, a pena pode variar entre 5 e 14 anos de prisão.

"A denúncia, oferecida à 10ª Vara Criminal da capital, tem como base investigação feita pela Polícia Civil, que culminou com a prisão em flagrante dos dois homens, surpreendidos portando artefatos explosivos e liderando manifestantes no enfrentamento de policiais", afirma a nota divulgada pelo MP-SP.

Protesto. Está marcado para as 17h deste sábado um ato contra a prisão de Harano e Lusvargh na Praça Roosevelt, região central da cidade. Intitulada "Grande formação de quadrilha pelos presos políticos", a manifestação foi organizada pelo coletivo Se Não Tiver Direitos Não Vai ter Copa. Na página do evento no Facebook, mais de 1.900 pessoas estão confirmadas.

"Depois de um semestre atrás dos monstros 'Black Blocs' sem qualquer resultado relevante (como se alguns jovens fossem o problema da segurança da cidade!), a Secretaria de Segurança Pública do Sr. Fernando Grella resolveu inovar e prender arbitrariamente qualquer manifestante político", diz a página do evento no Facebook.

No dia seguinte às prisões dos manifestantes, o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella, disse que Harano e Lusvarghi foram os primeiros black blocs presos em flagrante por policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). "(Eles)estavam incitando os manifestantes contra os policiais e foi necessária uma ação para conter os atos de violência", afirmou Grella na ocasião.

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