MP quer que motorista responda por homicídio doloso

Para a Promotoria, pedreiro que atropelou cinco corredores na USP no sábado, 16, assumiu o risco de matar ao dirigir embriagado

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

18 Agosto 2014 | 02h02

SÃO PAULO - O Ministério Público Estadual de São Paulo (MPE) entrou na Justiça ontem com pedido de conversão do indiciamento do pedreiro Luiz Antonio Conceição Machado de homicídio culposo (quando não há intenção de matar) para doloso (quando há intenção ou assume o risco) e da prisão em flagrante para prisão preventiva.

Para a Promotoria, o motorista que atropelou os cinco corredores no câmpus da USP anteontem assumiu o risco de matar ao dirigir embriagado. "Assim agindo, em princípio, o indiciado revelou conduzir o veículo com dolo eventual, assumindo o risco de matar aqueles corredores que praticam seu esporte dentro da Cidade Universitária", diz em seu pedido a promotora de Justiça Juliana Amélia Gasparetto de Toledo Silva.

De acordo com o promotor Fernando Henrique de Moraes Araújo, que atua no caso ao lado da promotora Juliana, ontem mesmo a Justiça analisou o caso e não atendeu ao pedido da Promotoria. "O juiz seguiu a mesma linha do delegado, de homicídio culposo, e concedeu liberdade provisória a Machado sujeita ao pagamento de fiança de R$ 55 mil", disse ele.

Ontem à noite, o pedreiro continuava preso na carceragem do 91.º DP (Ceagesp). A Secretaria Estadual da Segurança Pública informou ontem que ainda não havia sido notificada sobre a decisão judicial. Araújo diz que a Promotoria entrará com recurso hoje para que a Justiça reveja sua decisão. Para isso, ele pediu que testemunhas do acidente lhe enviassem fotos e vídeos do caso que deverão ser anexadas ao pedido. A reportagem não conseguiu contato com o Tribunal de Justiça.

Gurman. Em um dos casos recentes de morte por atropelamento de maior repercussão, o que resultou na morte do administrador Vitor Gurman, de 30 anos, em 2011, a condutora do veículo estava alcoolizada e foi indiciada por homicídio com dolo eventual (quando assume o risco de matar). A nutricionista Gabriela Guerreiro Pereira não foi presa. No ano passado, o Ministério Público Estadual ofereceu denúncia à Justiça contra Gabriela por homicídio doloso qualificado. 

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