MP pede nova prisão para dono de arsenal solto pela Justiça

O eletricista Marco Antônio Girão possui arsenal de armas e munições avaliado em mais de R$ 1 milhão e teve a prisão preventiva revogada pela Justiça no fim de semana

Chico Siqueira, ESPECIAL/ESTADÃO

11 de dezembro de 2012 | 19h21

ARAÇATUBA - O Ministério Público Estadual (MPE) voltou a pedir a prisão do eletricista Marco Antônio Girão, dono de um arsenal de armas e munições avaliado em mais de R$ 1 milhão que teve a prisão preventiva revogada pela Justiça no fim de semana. O arsenal, com diversos tipos de armas - entre elas pistolas, carabinas e 21 fuzis e metralhadoras -, foi apreendido pela polícia em março deste ano na mansão de Girão, no condomínio de luxo Serra Dourada, em Araçatuba, a 530 km de São Paulo.

Os promotores também voltaram a pedir a prisão do ex-diretor do Núcleo de Perícias Criminais de Araçatuba (SP), Sadraque Cláudio; do advogado de Girão, Jorge Napoleão Xavier; e do pai do eletricista, o ex-PM Jurandir Girão. O pedido de prisão contra os três é um recurso contra a negativa de um primeiro pedido feito na semana passada. Jurandir e Marco Girão são acusados de usar o Xavier para corromper Sadraque Cláudio, que receberia R$ 50 mil para fraudar laudos da perícia que serviriam de provas para incriminar o dono do arsenal. Embora tivesse documentação que o autorizava a manter as armas, Marco Girão foi pego com silenciadores e munições de artilharia antiaérea, de posse proibida. Se os laudos dos testes dessem negativo, Girão seria inocentado.

Cláudio conseguiu fraudar os testes; retirou pólvora e colocou óleo na munição e promoveu a ruptura dos bocais e retirou mecanismos usados para abafar o som dos silenciadores. No entanto, sabendo as intenções dos acusados, a polícia e MPE providenciaram testes em separado, antes de entregar os materiais para a perícia. Os testes deram positivos. Durante as investigações, a polícia e MPE descobriram que pai e filho, além de liderar uma quadrilha que faturava R$ 300 mil/mês com 'gatos' em relógios de energia elétrica, também tentariam corromper Cláudio.  

Segundo os promotores, se ficarem soltos, os acusados, especialmente o advogado, que possui trânsito nas repartições, "não vão poupar esforços para influir indevidamente na produção de provas".O advogado Jair Moura, que defende Marco Antônio Girão, disse que a Justiça agiu corretamente, pois seu cliente tem residência fixa na cidade. "Vamos provar que houve um equívoco", disse.  O advogado Anésio Duarte, que defende o advogado Napoelão Xavier, disse que o dinheiro que  seu cliente recebeu não pagamento da propina ao perito. "Aquele dinheiro era o pagamento dos honorários do advogado, que ele tem o direito de receber", afirmou.

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