MP pede explicação sobre mudanças feitas em linhas de ônibus

Insatisfação com medida motiva novos protestos; para professor da USP, Prefeitura precisa oferecer contrapartida

Caio do Valle, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2013 | 02h04

A gestão Fernando Haddad (PT) também será obrigada a se manifestar sobre as mudanças que vem promovendo nas linhas de ônibus da cidade. Um ofício encaminhado ontem pelo Ministério Público Estadual à São Paulo Transporte (SPTrans) solicita explicações acerca dos motivos que têm levado à extinção e ao encurtamento de dezenas de itinerários de coletivos nos últimos meses. Muitos passageiros se dizem prejudicados pelas alterações, pois se veem obrigados a pegar mais ônibus para vencer os mesmos percursos.

O promotor de Habitação e Urbanismo Maurício Antônio Ribeiro Lopes disse que enviou o documento à empresa - que gerencia o transporte municipal - para entender o motivo por trás de cada mudança. "Deve haver alguma justificativa técnica, mas, na medida em que se detecta esse volume de reclamações, tive de pedir informações à SPTrans de imediato."

A insatisfação com o corte de certas linhas é tão grande que o Movimento Passe Livre (MPL), que coordenou os protestos de junho que culminaram na redução da tarifa de ônibus de R$ 3,20 para R$ 3, apoia nesta semana atos públicos contra a medida. Hoje, às 17h, uma manifestação está prevista para sair da altura do número 595 da Avenida Belmira Marin, na zona sul. Uma das reivindicações é justamente a "volta das linhas diretas bairro-centro", como a 6128/10 (Vila Natal-Shopping Morumbi), desativada há pouco mais de um mês. Agora, os moradores do extremo sul precisam fazer uma baldeação para seguir viagem.

Cortes sucessivos. Na periferia da zona oeste, uma antiga linha de ônibus, a 8319/10, sofreu dois cortes de itinerário nos últimos dois meses. O primeiro, em agosto, encurtou a viagem, que sai do Parque Continental, até a Estação Barra Funda. Anteriormente, o ramal ia até o centro. Anteontem, a linha perdeu ainda mais espaço, e, passou a parar no Sesc Pompeia.

"A mudança foi péssima, porque agora tenho de pegar dois ônibus, em vez de um. O tempo para ir da minha casa até o trabalho dobrou", afirmou o segurança Sergio Borges Nicolau, de 48 anos, que usava a linha diariamente para ir do Jaguaré até Santa Cecília, na região central.

No Ipiranga, na zona sul, vários itinerários foram extintos neste mês. "Cancelaram do nada a linha 478P/31, alegando que se sobrepunha a outra, o que não é verdade. Afetou muita gente", disse o auxiliar administrativo Marco Enrico Marchi, de 24 anos. Até a semana passada, 80 linhas haviam sido canceladas em 2013.

Para o professor da Escola Politécnica da USP Mauro Zilbovicius, a Prefeitura erra ao extinguir linhas sem oferecer boas contrapartidas, como novos corredores expressos. "Essas mudanças pontuais tendem a piorar a avaliação dos usuários, apesar de a SPTrans ver algum benefício econômico." A empresa não se manifestou ontem.

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