Felipe Resk/Estadão
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MP exibe vídeo de réus sorrindo e faz paralelo da chacina com prisão de Sérgio Cabral

'São dissimulados e se valem do nome de Deus', afirmou o promotor Marcelo Alexandre de Oliveira durante o júri em Osasco

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2017 | 15h32

OSASCO - Um investigação com poucas provas e muita carga emocional. Por três horas, a acusação apresentou aos jurados nesta quinta-feira, 21, sua tese para condenar os dois policiais militares e um guarda-civil municipal, réus no júri da maior chacina da história de São Paulo, que terminou com 17 mortos em agosto de 2015.

Em sua sustentação, o promotor Marcelo Alexandre de Oliveira chegou até a fazer comparações entre o julgamento da chacina e a prisão do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB), que nesta quarta-feira, 20, foi condenado a 45 anos e dois meses de prisão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e pertinência à organização criminosa.

"Um matou por roubar os cofres públicos", disse. "Os homicidas são bastante parecidos na desfaçatez. São dissimulados e se valem do nome de Deus."

Um dos pontos altos da acusação foi a exibições de imagens dos réus Fabrício Eleutério e Thiago Heinklain, gravadas durante as audiências de instrução. Nelas, eles aparecem aos risos, ao ouvir o relato de testemunhas do processo. "São esses que vocês viram chorar aqui."

Aos jurados, Oliveira pediu que não tivessem medo de condená-los, apesar de citar momentos de tensão do júri, como testemunhas amedrontadas. "O medo contamina esse processo", afirmou. "Quero dizer a vocês que nunca vi jurado ser perseguido por condebar policial."

O promotor também fez críticas à investigação da chacina. "Foi parcialmente exitosa", disse. "Não vou menosprezar a inteligência dos senhores dizendo que um evento dessa dimensão teve apenas quatro culpados (um dos réus será julgado depois). É óbvio que não."

Outra dificuldade que o promotor expôs aos jurados foi o de apontar o que cada réu fez naquela noite. "Uma chacina dessa proporção, que abalou a imagem do Brasil perante o mundo, é tecnicamente difícil de descrever", afirmou. "Os senhores terão de decidir se eles concorreram de qualquer modo para o crime." 

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