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MP denuncia homens que tatuaram testa de adolescente

Dupla vai responder por lesão corporal, constrangimento ilegal e ameaça

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

23 de junho de 2017 | 18h57

SÃO PAULO - O Ministério Público Estadual (MPE) ofereceu à Justiça denuncia por três crimes contra Ronildo Moreira de Araújo e o tatuador Maycon Wesley Carvalho dos Reis por eles terem tatuado, no último dia 9, a frase "eu sou ladrão e vacilão" na testa de um adolescente de 17 anos acusado de furtar uma bicicleta.

Araújo e Reis vão responder por lesão corporal, ameaça e constrangimento ilegal caso a Justiça de São Bernando do Campo, no ABC Paulista, onde o crime ocorreu, aceite a denúncia. Ambos estão presos desde a madrugada do último dia 10 no Centro de Detenção Provisória da cidade.

O fato de a dupla não ter sido denunciada por tortura provocou críticas entre ativistas dos direitos humanos . Para o advogado Ariel de Castro Alves, membro do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), a falta desse crime facilitará a progressão de uma eventual pena em regime fechado para regimes mais brandos. "Seria mais difícil conseguirem esse benefício se fossem processados por tortura, por ser crime hediondo", afirmou o advogado.

Segundo o MPE, o adolescente havia feito uso de drogas e entrou na pensão onde a dupla morava e mexeu em uma bicicleta. "Araújo presumiu que ele estivesse tentando roubar a bicicleta, que pertence a um morador do local. Com a ajuda de Carvalho, levou o adolescente para o interior de um cômodo, onde ambos resolveram tatuar sua testa", narra a nota do MPE. "Depois disso, os denunciados ainda cortaram o cabelo da vítima a fim de que não pudesse esconder as marcas."

O MPE ressalta que os dois denunciados também forçaram o adolescente a gravar um vídeo dizendo que havia gostado da tatuagem e confessado o crime. Na sequência, publicaram o vídeo na internet.

O Estado tenta contato com a promotora criminal de São Bernardo Giovanna Ortolano Guerreiro Garcia, responsável pela oferta da denúncia, para obter explicações sobre a questão da tortura. 

 

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