MP denuncia ex-seccional por envolvimento com bingos

Investigações sobre envolvimento de policial começaram após denúncias feitas por outro delegado

Rejane Lima, do Estadão,

18 de outubro de 2007 | 16h16

Após quase quatro meses de investigações, o Ministério Público apresentou na quarta-feira, 17, denúncia contra o ex-delegado seccional de Santos, Elpídio Laércio Ferrarezi, por lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, corrupção passiva e prevaricação. Acusado de envolvimento com a máfia dos caça-níqueis na Baixada Santista, Ferrarezi pediu exoneração do cargo de seccional última segunda-feira e o delegado Rosier Pereira Jorge assumiu a função.   O promotor do Grupo de Atuação Especial e Regional Contra o Crime Organizado (Gaerco), Cássio Roberto Conserino, apresentou a denúncia ao Fórum de Bertioga e agora aguarda a decisão da Justiça de instaurar ou não um processo criminal contra Ferrarezi e outros quatro envolvidos. A petição foi apresentada em Bertioga porque há uma mansão na cidade, na Riviera de São Lourenço, avaliada em R$ 1 milhão pertencente à filha do delegado, a advogada Carla Abibe Ferrarezi Martinez.   O MP apurou que Carla seria "testa de ferro" do pai, que teria comprado o terreno e construído a casa para lavar o dinheiro ganho com um esquema que mantinha funcionando bingos ilegais na região. Além de Carla, os outros três denunciados são: o proprietário da construtora De Assis, Marcelo Caldas Santos e os laranjas Fabio Altino de Oliveira (empregado da construtora) e Silvia Letícia Martins Moreira (cunhada do construtor). Oliveira e Silvia aparecem na denúncia como os proprietários anteriores do lote, segundo a promotoria, na tentativa de ocultar o nome de Carla.   As investigações envolvendo policiais civis da Baixada ao recebimento de propinas dos donos dos bingos começaram em junho, após denúncias feitas através do blog Flit Paralisante, mantido pelo delegado Roberto Conde Guerra. Desde então, o único delegado que teve o nome investigado mais incisivamente foi Ferrarezi, que na última segunda-feira pediu exoneração do cargo de seccional alegando motivos de saúde.   Nesta quinta-feira, o delegado Rosier Pereira Jorge, de 57 anos, assumiu a vaga. Jorge era coordenador da Academia de Polícia de Praia Grande e exerce a função de delegado desde 1983. De acordo com o chefe do Deinter 6, Waldomiro Bueno Filho, Ferrarezi atualmente está em licença prêmio e quando retornar ao trabalho, no final de novembro, será designado para outra função.   O advogado de Ferrarezi, Luiz Guilherme Jacob, afirma que a denúncia não surpreendeu, pois faz parte do trâmite judicial obrigatório a partir do momento que o MP entrou com a ação de seqüestro de bem imóvel, em agosto. O pedido de seqüestro foi acatado pela Justiça em 24 de agosto e desde então a família está impedida de negociar ou usar a casa, que segundo o MP, tem 329 metros quadrados, cinco quartos e piscina.   Jacob critica o fato do promotor tão ter ouvido Ferrarezi durante a investigação e não ter permitido que a defesa do delegado tivesse acesso aos autos. Agora, o advogado disse que está aguardando a citação formal para poder apresentar a defesa em juízo. "A casa não vale R$ 1 milhão, foi gasto por volta de R$ 300 mil entre a compra do terreno e a construção do imóvel, que demorou cinco anos, e hoje a casa está avaliada em R$ 500 mil", disse Jacob afirmando que a filha do delegado é casada, funcionária pública e tem recursos para adquirir o bem.

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