MP denuncia estudantes da USP por formação de quadrilha e mais 4 crimes

Cerca de 50 deles fazem parte de um grupo de 72 pessoas que invadiram a reitoria da universidade em novembro de 2011 e acabaram detidas

ISADORA PERON, NATALY COSTA, RODRIGO BURGARELLI, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2013 | 02h06

O Ministério Público Estadual denunciou por formação de quadrilha, posse de explosivos, dano ao patrimônio público, desobediência e pichação 72 pessoas que ocuparam a reitoria da Universidade de São Paulo (USP) em novembro de 2011. O grupo ocupou o prédio por oito dias, em protesto contra a presença da polícia no câmpus e foi detido depois de a Polícia Militar cumprir reintegração de posse - eles foram liberados no mesmo dia após pagarem fiança. Cerca de 50 são alunos da universidade. Somados, os crimes podem render até 7 anos de prisão.

A reportagem telefonou para todos os advogados de defesa dos estudantes registrados no Tribunal de Justiça, mas nenhum dos que atenderam o telefone se dispôs a responder à acusação da Promotoria.

A diretora do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) e uma das acusadas, Diana de Oliveira, afirmou que a denúncia é um ataque ao movimento estudantil e dos trabalhadores. Segundo ela, o resultado do processo interno da USP contra os manifestantes saiu na última semana e grande parte recebeu suspensão de 5 a 15 dias.

"Essas penas leves mostram que o reitor estava arquitetando com o governo esse ataque para criminalizar estudantes e trabalhadores", disse Diana. A USP não comentou.

É a primeira vez que estudantes da USP são denunciados por formação de quadrilha por ocuparem prédio da universidade.

Segundo a denúncia da promotora criminal Eliana Passarelli, do Foro Regional de Pinheiros, os denunciados "associaram-se em quadrilha para o fim de cometer crimes". "Consta ainda que (...) destruíram, inutilizaram e deterioraram coisa alheia, pertencente ao patrimônio do Estado", continua.

Laudo. No rol de bens danificados listados pela promotora, estão fios de energia elétrica, câmeras de monitoramento, portas, móveis, máquinas fotocopiadoras e vidros. Um laudo pericial feito pela polícia mostrou que paredes e vidros do local estavam pichados com frases e desenhos. "Um deles retratava algumas pessoas destruindo uma viatura da Polícia Militar", frisa Eliana. Carros da PM foram apedrejados.

O crime de posse de explosivos se deve a artefatos pirotécnicos apreendidos na reitoria após a desocupação. Segundo laudo, havia quatro litros de gasolina, sete artefatos incendiários de garrafas de vidro (coquetéis molotov), seis caixas de foguetes e dois isqueiros.

"Tais artefatos seriam suficientes para causar incêndios (...) ou, quando arremessados contra pessoas, poderiam causar queimaduras graves, caso fossem atingidas pelo líquido em chama", diz a denúncia.

Todos os alunos foram denunciados pelos cinco crimes. Para a Promotoria, embora não seja possível descrever qual foi a conduta de cada um dos estudantes, todos podem ser considerados culpados por no mínimo terem se omitido no momento em que os delitos ocorreram. "Os denunciados quedaram-se inertes e concordaram entre si com os fatos, sem sequer cogitarem a possibilidade de intervenção para fazer cessar os aludidos atos."

A promotora decidiu arquivar os autos que tratavam de um cigarro de maconha encontrado na reitoria. O caso deverá ser julgado no Foro Criminal Central na Barra Funda. / COLABORARAM WILLIAM CASTANHO, CARLOS LORDELO E JULIANA DEODORO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.