Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

MP convoca comissão da USP sobre estupros

Segundo promotora, faculdade terá de exibir o resultado de sindicâncias e indicar ações

Fabiana Cambricoli e Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

18 Novembro 2014 | 03h00

O Ministério Público Estadual (MPE) agendou para esta quarta-feira, 19, o depoimento de representantes da comissão da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) que investiga denúncias de violência na unidade. Na semana passada, duas alunas revelaram em audiência pública na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) terem sido estupradas em festas da universidade.

Inquérito do MPE iniciado há dois meses apura oito casos de abuso ocorridos na faculdade. No documento, as vítimas afirmam que “não houve suporte” da diretoria da faculdade, que teria deixado de dar prosseguimento a procedimentos administrativos de apuração.

De acordo com Paula Figueiredo, promotora de Justiça dos Direitos Humanos e responsável pelo inquérito, os representantes da comissão terão de apresentar os resultados da investigação sobre os abusos ocorridos no câmpus e o que planejam fazer para evitar que estupros e outros casos de violência voltem a acontecer no local. “Queremos ouvir propostas razoáveis de mecanismos que busquem coibir esses atos”, diz.

O professor Milton Martins deverá ser o representante da comissão a prestar os esclarecimentos ao MPE. O Estado apurou que ele é o mais cotado para assumir a presidência do comitê, depois da saída do professor Paulo Saldiva, na semana passada, após os relatos de abuso virem a público.

Ao anunciar seu desligamento, Saldiva criticou a postura dos próprios docentes frente às denúncias de violência na faculdade. Procurado ontem, Martins disse que ainda não foi definido o nome do substituto de Saldiva.

Outras denúncias. A promotora disse ainda que, após os relatos de estupro terem sido divulgados pela imprensa, outras duas estudantes procuraram a promotoria para denunciar abusos. “Uma delas é da própria FMUSP e a outra é da unidade de Ribeirão Preto e relata preconceito e discriminação, mas ainda precisamos ouvir formalmente essas jovens para saber do que se trata.”

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