MP apura gasto de Kassab com consultorias

Prefeito gastou R$ 112 milhões nos últimos 15 meses com projetos que podem não sair do papel

DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2012 | 03h04

O prefeito Gilberto Kassab (PSD) tem dez dias para enviar ao Ministério Público Estadual justificativas para a contração, nos últimos seis anos, de R$ 350,2 milhões em empresas de consultorias para diferentes áreas da Prefeitura, de Saúde e Transporte às ações de urbanismo e combate a enchentes.

A pouco mais de 11 meses de deixar o governo, o prefeito gastou R$ 112 milhões nos últimos 15 meses em projetos que podem nem sair do papel ou ser modificados após o fim do mandato.

O promotor César Dario Mariano da Silva, da 6.ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital, abriu inquérito civil para investigar os contratos de empresas de consultoria e exigiu que o prefeito apresente em dez dias informações sobre "a necessidade de suas realizações diante da existência de funcionários qualificados". A explicação é necessária mesmo nos casos em que houve licitação para a contratação.

Aumento. Os gastos com consultorias explodiram entre 2010 e 2011. Só para consultoria em três operações urbanas que ainda podem ser modificadas pela Câmara Municipal, o prefeito vai gastar R$ 32 milhões.

O escritório de arquitetura americano Aecom, que já recebeu R$ 12 milhões para fazer o estudo sobre o Nova Luz (projeto de revitalização da cracolândia), agora vai ganhar mais R$ 10 milhões para conceber o estudo da Operação Urbana Lapa-Brás. Só que esse projeto pode ser alterado quando passar por votação na Câmara, o que exigirá um novo licenciamento ambiental antes do início da obra.

O Ministério Público também quer saber a justificativa para o pagamento de R$ 9,5 milhões à Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), ligada à Universidade de São Paulo (USP) para consultoria na Parceria Público Privada (PPP) que prevê construção de 16 unidades médicas na periferia, entre elas três hospitais.

Mais de um ano após ser apresentado pelo governo como salvação para a promessa de construir hospitais na Brasilândia, na Vila Matilde e em Parelheiros, feita por Kassab na campanha de 2008, o projeto ainda não saiu do papel e passa atualmente por modificações. Também chamam a atenção do Ministério Público contratos com fundações ligadas a universidades feitos sem licitação.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.