MP ainda apura por que bar com problema não fechou

Segundo acusação de PMs, Barão da Itararé, no centro, continuou aberto após vereador do PT falar com secretário

O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2012 | 03h02

Outra investigação em curso no Ministério Público Estadual (MPE) sobre o secretário especial Orlando Almeida envolve o vereador José Américo (PT). Os promotores apuram os motivos que levaram a Prefeitura a não fechar um bar fiscalizado em 27 de abril deste ano na Rua Peixoto Gomide, em Cerqueira César, região central.

A investigação toma por base uma denúncia feita em 2 de maio por policiais militares que acompanharam uma operação especial conjunta da PM e da Prefeitura para coibir crimes como tráfico de drogas e perturbação do sossego público. Segundo relato feito em ofício ao MPE, as equipes de fiscalização encontraram no bar Barão da Itararé falhas como extintores de incêndio vencidos, fiação elétrica exposta e irregularidades no quadro de luz e na cozinha. Como a equipe que fazia a fiscalização é do Contru (Departamento da Prefeitura com autoridade para fiscalizar apenas grandes empreendimentos), foi solicitada a presença de um fiscal da Subprefeitura da Sé.

Ainda segundo o relato, o vereador José Américo chegou ao bar antes de o fiscal aparecer e passou a acompanhar a ação. Quando o agente público chegou e constatou as irregularidades, segundo a PM, o vereador intercedeu e afirmou que o bar não poderia ser fechado porque o fiscal não era engenheiro eletricista. "O vereador tentou de diversas maneiras interferir no trabalho do engenheiro, até o momento em que me vi obrigado a lembrá-lo de que ele estava obstruindo o trabalho do engenheiro e, se assim o vereador persistisse, eu teria de adotar outras providências", escreveu o capitão André Luiz de Almeida Zandonadi no ofício.

Ainda segundo o relato, o vereador insistiu em impedir que o bar fosse fechado e, após conversar com o secretário Almeida, o estabelecimento continuou aberto. Então, os PMs decidiram interromper a operação.

Briga. Um dos responsáveis pelo Barão da Itararé, o jornalista Marco Antônio Araújo, nega que tenha pago propina para evitar a lacração do bar. Ele diz que tem tido problemas com o Conselho de Segurança (Conseg) do bairro - do qual o capitão faz parte - e sofrido uma "hiperfiscalização" para ser fechado. O vereador José Américo foi chamado, diz ele, como um amigo, para evitar uma "arbitrariedade".

Américo diz que foi acionado por Araújo para acompanhar a fiscalização e seu amigo tem sido "perseguido" pelo Conseg. Ele diz que os problemas no local não justificavam nem multa.

'Todo lugar tem'. Indagado sobre o caso, o secretário Almeida, que também nega propina e diz que o jornalista e o policial haviam se desentendido por causa de reportagens feitas pela emissora onde Araújo trabalha. Nelas, haveria críticas à PM do bairro. Por isso, os policiais queriam o fechamento do bar. "Se você procurar, vai achar motivos para a interdição em qualquer lugar. Todo lugar tem", argumentou. O capitão que fez o ofício ao MPE não foi encontrado ontem. / ARTUR RODRIGUES, BRUNO RIBEIRO, RODRIGO BRANCATELLI e RODRIGO BURGARELLI

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