MP acusa governo de desmontar serviço a psicóticos

Segundo promotoria, Centro de Atenção Integrada em Saúde Mental passou a receber só usuários viciados em crack, e de forma inadequada

Tiago Dantas, O Estado de S. Paulo

11 de abril de 2013 | 13h00

O Ministério Público acusa o governo do Estado de desmontar o Centro de Atenção Integrada em Saúde Mental (Caism) Philippe Pinel, especializado em atender pacientes em surto psicótico, para receber apenas usuários de drogas viciados em crack - e de forma considerada inadequada. Os dependentes começaram a ser encaminhados em 24 de janeiro pelo Centro de Referência em Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), que intensificou as internações involuntárias no início do ano.

Os promotores entraram com uma ação civil pública contra o Estado na manhã desta quinta-feira, 11. O documento pede que o encaminhamento de usuários de crack ao Pinel seja suspenso imediatamente e que o hospital volte a atender os pacientes psiquiátricos.

Funcionários do Pinel relataram aos promotores que não receberam tratamento para lidar com usuários de drogas. Além disso, alegaram que os dependentes estão consumindo drogas dentro da unidade de saúde. Há ainda relatos de agressões contra enfermeiros e até de roubos. O Pinel é um hospital aberto.

"Houve o desmonte de um serviço de excelência de décadas para oferecer banho e televisão por um mês e mais ou menos abstinência", afirmou o promotor Maurício Ribeiro Lopes, da Habitação e Urbanismo. "Temos a convicção de que estes pacientes estão ali apenas para estatísticas."

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