MP acusa 12 por morte no Hopi Hari

Entre denunciados por queda de garota está presidente do parque, além de funcionários

TATIANA FÁVARO / CAMPINAS, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2012 | 03h02

O Ministério Público do Estado de São Paulo denunciou ontem 12 pessoas do parque de diversões Hopi Hari, incluindo o presidente da empresa, Armando Pereira Filho, pela morte da adolescente Gabriella Nichimura, de 14 anos. Ela caiu do brinquedo La Tour Eiffel em 24 de fevereiro, por causa de "uma sucessão de erros, que começou na instalação do brinquedo", de acordo com a Promotoria.

O promotor Rogério Sanches imputou aos acusados o crime de homicídio culposo (sem intenção de matar), com previsão de aumento de pena em um terço pela inobservância de regras técnicas. A pena, que seria de 1 a 3 anos de reclusão, passa para 1 ano e 4 meses a 4 anos. Com esse ajuste, a pena mínima da acusação ultrapassa um ano, o que impede o parque de pedir a suspensão do processo.

Dos 11 indiciados em abril pelo delegado Álvaro Santucci Noventa Júnior, o promotor Rogério Sanches denunciou nove. A Promotoria excluiu o vice-presidente do parque, Cláudio Luis Pinheiro Guimarães, por entender que ele tinha apenas função comercial. Também ficou fora o técnico Rodolfo Rocha de Aguiar Santos, por não ter poder de decisão no caso.

Além dos nove citados pelo delegado, entre os quais estavam três operadores, um supervisor de operações, dois técnicos e um sênior em manutenção, o gerente-geral e o presidente, Sanches incluiu três pessoas na denúncia: a operadora Amanda Amador, por saber que a cadeira em que sentou Gabriella era um lugar de risco, e os gerentes Flávio Pereira e Fábio Ferreira da Silva, das áreas de Planejamento, Manutenção e Operações, por entender que eles tinham poder para impedir que o brinquedo funcionasse. A justificativa para denunciar o presidente do Hopi Hari foi a de que Pereira Filho acumulava também a função de gerente-geral de operações.

Para o promotor, houve falhas desde a instalação do brinquedo. "Concluímos que a morte de Gabriella se deu por uma sucessão de erros e falhas de muitas pessoas. Se só uma falha dessas não tivesse acontecido, ela poderia estar viva", afirmou Sanches.

Família e advogados. O advogado dos Nichimuras, Ademar Gomes, disse que, embora a família esperasse denúncia por homicídio doloso (quando há intenção de matar), ficou satisfeito com o conteúdo da denúncia. Quanto ao ponto de vista cível, Gomes reiterou que vai entrar com ação contra o Hopi Hari, pedindo indenização no valor de R$ 2 milhões por danos morais e materiais. O advogado do Hopi Hari, Alberto Toron, disse no fim da tarde que só se pronunciará após tomar ciência do teor da denúncia. O mesmo foi dito pelo advogado Bichir Ale Bichir Júnior, que defende o operador Marcos Leal. Os demais acusados não foram encontrados.

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