Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

MP abre inquérito sobre contrato entre Metrô e empresa ligada a réu em cartel

Empresa contratada para instalar portas de plataforma em 36 estações é chefiada por jovem de 18 anos, filho de réu em ação do Rodoanel

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

13 de junho de 2019 | 19h18
Atualizado 13 de junho de 2019 | 22h29

SÃO PAULO - O Ministério Público Estadual (MPE) decidiu abrir inquérito para investigar uma licitação do Metrô de São Paulo que resultou na contratação de uma empresa ligada a um dos réus da ação penal do cartel do Rodoanel Sul de São Paulo que, hoje, é gerenciada por um rapaz de 18 anos.

Conforme reportagem do Estado publicada nesta quinta-feira, 13, a empresa MG Engenharia, fundada pelo engenheiro Francisco Germano Batista da Silva, ex-diretor da OAS Engenharia denunciado por ligação com o esquema de fraudes na obras do Trecho Sul do Rodoanel, venceu a licitação para a instalação de portas de plataforma em 36 estações do Metrô, por R$ 342 milhões.

Após ser denunciado, Silva deixou a empresa, e foi substituído por seu filho, Victor Germano Moreira Batista da Silva. A contratação da MG se deu depois de o Metrô desclassificar três das cinco empresas que disputavam a licitação.

O promotor de Justiça Marcelo Milani, da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e Social da capital paulista, vai investigar se houve alguma forma de direcionamento para a empresa vencer a disputa.

“Os fatos são muito graves”, disse o promotor. “E devem ter uma investigação profunda inclusive, com eventuais pagamentos indevidos”, afirma Milani. 

Em nota, o Metrô informou que ainda não foi notificado pelo MPE sobre abertura de inquérito. "De qualquer maneira, a Companhia está à disposição dos órgãos de controle para prestar todos os esclarecimentos necessários sobre o processo de contratação realizado por meio de licitação internacional feito com total lisura e transparência e seguindo o que exige a lei", disse em nota. 

Informou ainda que a instalação das portas de plataforma permitirá a redução do número de interferências nas linhas, aumentando a regularidade da circulação dos trens e, principalmente, a segurança dos passageiros. 

 

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