Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Movimentos por moradia fazem passeatas no centro

Sem-teto se dirigiram à Sé para protestar contra cortes em políticas de habitação e cobrar lançamento da 3ª etapa do Minha Casa

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

05 de outubro de 2015 | 10h50

Atualizada às 21h40

SÃO PAULO - Movimentos por moradia realizaram nesta segunda-feira, 5, no Dia Mundial dos Sem-Teto, uma série de passeatas em São Paulo e em mais 14 capitais para protestar contra cortes em políticas públicas de habitação e pressionar pelo lançamento da terceira etapa do programa Minha Casa Minha Vida. Os grupos armaram barracas e estão acampados na frente do prédio da Caixa Econômica Federal, na Praça da Sé, na região central. Os atos também aconteceram em outros 15 estados brasileiros.

Pela manhã, os sem-teto se concentraram em cinco pontos diferentes da capital paulista e depois marcharam para a Praça da Sé. Segundo organizadores, a manifestação reuniu cerca de 5 mil pessoas que, com bandeiras e carros de som, pediram liberação de recursos para moradia, além de melhor localização das unidades habitacionais e o fim de despejos em ocupações. Os organizadores estimam que, em todo o País, os atos reuniram cerca de 15 mil pessoas.

As passeatas contaram com a participação de sem-teto de Osasco, Ribeirão Preto e Sertãozinho, que também pediram a recomposição de R$ 5 bilhões para a área de moradia, que teria sido cortados do orçamento da União de 2016. Os grupos chegaram a bloquear diversas ruas da cidade, entre elas as Ruas Brigadeiro Tobias e Maria Paula, além do Túnel João Paulo II, todos no centro, e a Radial Leste, na zona leste.

Os principais alvos da manifestação eram o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), e o Ministro da Fazenda, Joaquim Levy. "Somos contrários a esse tipo de movimentação política que critica gastos com investimentos sociais", afirmou Antônio José de Araújo, coordenador do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM). Os sem-teto também criticaram o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf.

"Para empresários não falta dinheiro, mas para moradia não tem", disse o coordenador estadual Donizete Fernandes de Oliveira, da União dos Movimentos de Moradia (UMM). Além do lançamento imediato do Minha Casa Minha Vida III e da conclusão da segunda etapa do programa, os movimentos reivindicam construção de 300 mil unidades para o Minha Casa Minha Vida Entidades. Também querem que imóveis públicos com previsão de venda por causa da crise econômica sejam destinados a moradias populares.

O ato transcorreu pacificamente e foi encerrado após os sem-teto montarem barracas na frente do prédio da Caixa Econômica Federal. "Sabemos que aqui não vamos ter nenhuma resposta, mas é uma ocupação simbólica", disse Araújo. Segundo as entidades de moradia, 500 representantes vão se revezar no acampamento até que os líderes sejam recebidos pelo governo federal em Brasília. Eles levaram fogão, panelas e água para permanecerem no local.

Governo Federal. O Ministério das Cidades, responsável pelos programas de habitação em âmbito federal, não disse se vai receber representantes dos sem-teto. Questionada sobre essa previsão, a pasta respondeu apenas que "mantém diálogo permanente com os movimentos sociais."

Ainda de acordo com o ministério, o início da terceira fase o programa Minha Casa Minha Vida depende de aprovação no Congresso Nacional.

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