Natália Russo/AE
Natália Russo/AE

Movimento quer separar Perdizes e Pompeia da Lapa

Grupo já obteve 3 mil assinaturas para solicitar desmembramento de subprefeitura local; nova administração teria apenas 10 km²

Bruno Lupion / ESTADÃO.COM.BR, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2011 | 00h00

Ventos separatistas sopram na zona oeste da capital paulista. Moradores da Pompeia e de Perdizes, hoje submetidos à Subprefeitura da Lapa, querem declarar sua independência e criar a Subprefeitura da Pompeia. Eles reclamam que são discriminados pela atual administração regional e ressaltam que seus bairros têm riqueza e problemas suficientes para ganhar gerente próprio.

A Subprefeitura da Lapa administra uma faixa que vai desde o bairro do Jaguaré, na margem oeste do Rio Pinheiros, no limite com Osasco, até Santa Cecília, na região central de São Paulo. São 40 km² de área e 255 mil moradores.

Para o Movimento Pompeia Independente (MPI), é demais. "Do jeito que está, a sub da Lapa abraça tudo e não resolve nada. Precisamos de um administrador para a nossa região, voltado aos nossos problemas, que não são poucos", afirma o advogado e contador Antonio D"Agosto, de 48 anos, que encabeça o movimento. Ele acusa a administração da Lapa de não tratar os bairros com a mesma atenção. "Quando você solicita algum serviço e diz que é da Pompeia, fica relegado a segundo plano."

Joyce Pedroso, costureira de 25 anos, também acusa os funcionários da administração local de "preconceito" em relação aos moradores da Pompeia. "Eles acham que todo mundo que mora na Pompeia tem dinheiro e pode se virar sozinho. Mas não é assim, todo mundo tem de ser atendido igual." Procurada, a Subprefeitura da Lapa negou, por meio de sua assessoria, discriminar moradores e afirma que atua igualmente em todos os distritos.

D"Agosto distribui panfletos do MPI no comércio local e vai às feiras livres para divulgar a ideia no corpo a corpo - em seis meses, diz ter reunido cerca de 3 mil apoiadores. A proposta é aglutinar Água Branca, Pompeia, Perdizes e Sumaré, hoje pertencentes à Subprefeitura da Lapa, e o Sumarezinho, atualmente na Subprefeitura de Pinheiros. "Faltam poda de árvores e coleta de lixo, a reurbanização da Água Branca não sai do papel e vivemos com problemas de enchentes", reclama, lembrando que a região tem shoppings, empresas, hospitais e universidades e traz grande arrecadação para a Prefeitura.

Ele ressalta que faltam funcionários e veículos na Subprefeitura da Lapa para atender a todos e uma maior descentralização administrativa poderia ajudar a resolver o problema.

Mas a proposta não tem unanimidade nem entre especialistas. O urbanista e ex-vereador Nabil Bonduki acredita que, mais importante do que abrir novas subprefeituras, é fazer as atuais funcionarem. "A Subprefeitura da Lapa é uma das mais estruturadas da cidade. Na periferia, por exemplo, elas são muito mais carentes e há mais demandas por requalificação urbana", diz o ex-vereador, que destaca a necessidade de repensar o modelo. "As subs surgiram em 2002, na perspectiva de descentralizar os serviços públicos, mas perderam a função original."

Nova configuração. A Subprefeitura da Pompeia proposta pelo MPI cuidaria de cerca de 10 km² e pouco mais de 100 mil moradores. Seria a menor da cidade - desbancando a do Jabaquara, com 14 km² - e a menos populosa, posto ocupado hoje por Perus, com 148 mil habitantes.

 

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