EVELSON DE FREITAS/ESTADÃO
EVELSON DE FREITAS/ESTADÃO

Movimento Passe Livre faz debate na Sé contra prisão de ativistas

Entorno do ato foi cercado por policiais; de acordo com os manifestantes Fernando Grella foi convidado, mas não compareceu

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

02 Julho 2014 | 16h44

Atualizada às 19h09

SÃO PAULO - O debate mobilizado pelo Movimento Passe Livre (MPL) reuniu cerca de 200 pessoas na tarde desta quarta-feira, 2, de acordo com a Polícia Militar, na Praça da Sé, no centro de São Paulo. O encontro deveria acontecer em frente ao Tribunal de Justiça de São Paulo, mas os manifestantes foram impedidos por policiais. O evento ocorreu de forma pacífica e a PM acompanhou de longe, cercando a assembleia por todas as saídas.

O ato foi chamado para discutir as prisões que têm ocorrido durante as manifestações, consideradas pelos militantes como uma forma de criminalizar ações políticas. Os manifestantes também pedem o trancamento do inquérito policial nº1/2013, o "inquérito black bloc", que investiga os autores das depredações durante as passeatas. Alguns cartazes pediam a libertação do estudante e servidor da USP, Fábio Hideki.

"O objetivo desse inquérito é fazer um mapeamento dos manifestantes. O procedimento deles é muito claro. Perguntam se tem algum partido político e se pertence a algum movimento", criticou a militante do MPL, Érica de Oliveira. 

Durante seu discurso, ela relembrou dois casos de moradores de rua que foram presos em manifestações de junho de 2013, Josenilda da Silva Santos e Rafael Braga. Josenilda foi presa por furto e Braga, porque estaria portando um artefato explosivo durante um dos protestos.

Polícia. O entorno do ato foi cercado por forte aparato policial, assim como na reunião de terça-feira. A reportagem contou a presença de ao menos 150 policiais, entre cavalaria, Tropa de Choque e Força Tática. Também foram mobilizadas motocicletas e um helicóptero. Houve ainda reforço na saída de estabelecimentos comerciais. Não foi divulgado o número exato de oficiais "por um procedimento estratégico", informou a assessoria da corporação.

O secretário de Segurança Pública Fernando Grella, convidado pelo MPL, não foi ao evento. De acordo com sua assessoria, Grella não recebeu nenhum convite, embora os militantes afirmem que este foi protocolado na Secretaria na última sexta-feira. Em seu lugar, manifestantes colocaram uma cadeira vazia no centro do debate, com o nome de Grella escrito em um cartaz. Quando o nome dele foi mencionado, houve vaias.

Participaram da mesa-redonda membros do MPL e de outros movimentos sociais como o Comitê Popular da Copa e Mães de Maio. O padre Julio Lancelotti, que tem assistido aos atos e diz ser testemunha da inocência de Hideki, também integrou o debate. "A ultima vez que vi esta praça sendo cercada assim foi no enterro do Vladimir Herzog", afirmou o padre Lancelotti. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.