Movimento intenso perto de cidades aumenta risco na Dutra

Número de mortes caiu na última década, mas atropelamentos e colisões com motos são as novas ameaças

, O Estadao de S.Paulo

17 Março 2010 | 00h00

Durante muito tempo, a Via Dutra foi chamada de a "estrada da morte". O número de acidentes caiu e hoje é metade do que era registrado nos anos 1990, mas a via continua sendo a que tem mais pontos críticos do País. Foram 58 mortos no ano passado em três trechos: dois na chegada à Grande São Paulo e um na Baixada Fluminense.

Mesmo sem muitas curvas e com trânsito congestionado, foram 33 acidentes com mortos em 2009 e 513 com feridos nos trechos paulistas. Só nos quatro quilômetros entre a capital e a ligação com a Rodovia Fernão Dias circulam entre 350 mil e 400 mil veículos por dia. "Num ambiente assim é mais fácil ter um descuido que provoque um acidente", diz o inspetor Márcio Pontes, chefe da 1ª Delegacia da PRF em Guarulhos.

A maioria dos acidentes é característica de trechos urbanos, como é o caso de atropelamentos (14 mortes). "Hoje praticamente não existe mais colisão frontal, que eram os acidentes que mais provocavam mortes há uma década", conta Marcelo Rezk, gestor de atendimento da concessionária NovaDutra. "Por outro lado, tivemos um aumento exponencial de acidentes com motocicletas."

Retões. O operador de guincho Paulino Silva de Paula, de 55 anos, é acionado pelo menos uma vez por dia. "Antes tinha muito acidente grave nos "retões" do Vale do Paraíba. Agora, eles estão mais perto de São Paulo." Ele recebe cerca de R$ 100 por ocorrência. "Tem umas que eu preferia nem ser acionado e perder o dinheiro só para não precisar ver."

A dona de casa Roseli Carla do Nascimento mora em Arujá, na beira da Dutra, e viu seu filho de 7 anos ser atropelado por um motorista alcoolizado no réveillon. "Até hoje ele precisa de acompanhamento médico", afirma Roseli. Quando há acidentes na Dutra, a dona de casa e os vizinhos vão até a pista e ajudam a desviar o trânsito. / R.M.

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