Movimento diário será igual ao de Pinheiros

Complexo atrairá 65 mil/dia; contrapartidas são nova ponte e alargamento da Marginal

O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2012 | 03h06

Um movimento de 65 mil pessoas, equivalente à população de Pinheiros, bairro na zona oeste de São Paulo. Até 2020, quando o Parque da Cidade, no Brooklin, estiver pronto, essa será a previsão de ocupação diária do complexo, instalado ao lado de dois dos corredores mais congestionados da capital: a Marginal do Pinheiros e o eixo formado pelas Avenidas Engenheiro Luís Carlos Berrini e Doutor Chucri Zaidan. O endereço abrigou durante 57 anos a fábrica de bicicletas da Monark, hoje instalada em Indaiatuba, no interior.

De carro, o acesso ao megaempreendimento, que vai oferecer 8 mil vagas de estacionamento, passará obrigatoriamente por uma dessas vias, o que tornará o tráfego local ainda mais pesado. Responsável pelo projeto, a Odebrecht Realizações Imobiliárias cita intervenções prometidas pelo poder público como medidas capazes de reduzir o impacto no trânsito. Na lista estão a extensão da Linha 5-Lilás e a construção do monotrilho do Morumbi, ambas em obras, além da modernização da Linha 9-Esmeralda, da CPTM.

O investimento exigido da construtora, por enquanto, se limita a melhorias viárias. Até a conclusão do complexo, a OR terá de promover, por exemplo, o alargamento de um trecho da Marginal, a construção de uma nova ponte sobre o Rio Pinheiros e a instalação de sinalização mais moderna.

Para o arquiteto e urbanista Antonio Claudio Fonseca, professor do Mackenzie, as exigências são tímidas. "O impacto de um empreendimento desse tipo é extraordinário, e não se mede em metros quadrados. Está na hora de a Prefeitura esquecer essa ideia de contrapartida rodoviarista, que só favorece o motorista de carro, e cobrar melhorias urbanísticas, como novas creches, teatros e parques na região", diz. "E mesmo que as obras sejam direcionadas ao trânsito, não há nada que impeça que elas deem prioridade ao transporte público."

O diretor de construção de São Paulo da Odebrecht, Paulo Aridan Mingione, não descarta a possibilidade de os recursos serem transferidos para o monotrilho, por exemplo, ou mesmo para a criação de um corredor de ônibus. De acordo com a lei dos polos geradores de tráfego, a mudança é permitida, desde que o limite de investimento não passe de 5% do valor da obra.

Horizonte. Haverá três blocos de restaurantes e bares espalhados por uma área aberta 24 horas, além de cinema e teatro no shopping anexo. Mais do que atrair visitantes, a área gourmet visa a agradar moradores do bairro, que sofrerão os impactos do futuro adensamento. As oito torres formarão uma barreira no horizonte de quem já mora no Brooklin e hoje consegue ver a Marginal./ADRIANA FERRAZ

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