Motoristas reclamam do comportamento dos pedestres

Pedestre distraído, que fica olhando para os lados, estimula motoristas a não parar na faixa, aponta pesquisa

CAIO DO VALLE, O Estado de S.Paulo

18 Abril 2012 | 03h01

Fumar, ficar conversando e usar o telefone celular. Atenção! Não se pode fazer nada disso antes de atravessar a rua. É o que dizem motoristas ouvidos em pesquisa da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Segundo eles, essas atitudes provocam a distração de quem está a pé, deixando pouco clara a intenção de usar a faixa de pedestres. Os condutores, então, desistem de aguardar.

O levantamento, feito com 404 motoristas entre o fim de março e o início deste mês, em cruzamentos sem semáforos na região central, mostra que, para 52,3% deles, "o pedestre distraído, que fica olhando para os lados", os estimula a não parar.

Dos entrevistados, 46,3% afirmaram que ficar parado na calçada falando ao celular também atrapalha. Outra atitude que confunde 29,2% dos condutores é ver o pedestre na calçada, perto da faixa, conversando com outras pessoas. O fumante que não observa a movimentação dos veículos confunde 18,3%.

O estudante Gustavo Schwinger, de 22 anos, reconhece que fumar pode distrair. "Mas só na hora de acender o cigarro." Para a promotora de eventos Fernanda Peixoto, de 34 anos, atravessar falando ao celular "passa a impressão de distração".

Nenhum dos dois afirma usar o gesto do pedestre para indicar a intenção de atravessar. Para 51,1% dos condutores, a ação reforça a ideia de que alguém quer atravessar. A reportagem ficou ontem por 20 minutos na Rua Frei Caneca com a Avenida Paulista, onde não há semáforo. Nenhum pedestre fez o gesto.

A superintendente de Segurança da CET, Nancy Schneider, diz que os motoristas sugerem outras ações aos pedestres. "Para 34% deles, colocar o pé na faixa seria um jeito de entender que a pessoa quer atravessar." O levantamento ouviu 432 pedestres - 55,6% afirmam que "não fazem nada" para indicar a travessia.

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