Motoristas fazem a última inspeção

Muitos tinham dúvidas sobre fim da operação

Caio do Valle, O Estado de S.Paulo

01 Fevereiro 2014 | 02h04

Precaução, dúvida e tristeza marcaram o último dia de operação nos postos da Controlar, concessionária que era responsável pela inspeção ambiental na capital paulista. De um lado, motoristas ainda em dúvida sobre as consequências práticas do fim do programa. De outro, funcionários da empresa preocupados com o próprio futuro profissional.

No posto do Parque São Jorge, na zona leste, as opiniões se dividiam sobre a eficácia da vistoria, que vigorava desde 2008 - para a frota inteira, passou a valer dois anos depois. "Devia valer para o Estado ou o País todo, não só aqui, porque muitos carros de cidades vizinhas rodam sem ter de pagar, e poluindo", disse o comerciante Antonio Silva de Melo, de 62 anos.

Ele teve a Blazer 1997 reprovada, por causa de vazamentos no motor e no câmbio. "Já gastei R$ 5 mil arrumando motor. Ainda assim, sou reprovado." Perto dali, o gerente daquela unidade comentava casos parecidos. "Uma nova consciência ambiental já estava se espalhando", afirmou João Timotheo de Paula Neto, de 58 anos.

Sonia Maria Alves Catão, de 45 anos, que trabalhava como inspetora no posto, disse que não começou a procurar outro emprego. "A gente sempre tem esperança de que o serviço volte."

Nova empresa. A Prefeitura informou que o edital para contratar uma nova empresa para fazer a inspeção "está em consulta pública e será publicado nos próximos dias". E só precisarão se submeter aos testes os veículos mais velhos, ou seja, mais poluentes. Até lá, multas para quem deixou de fazer a inspeção estão suspensas. O licenciamento também pode ser feito sem inspeção.

No posto da Barra Funda, na zona oeste, o mais movimentado entre os 16, Paulo Sabóia, de 55 anos, acredita que o programa é importante para o ambiente, mas não deveria onerar os condutores. "Do jeito que estava, era caça-níquel." O próximo modelo adotado pela Prefeitura isentará os donos de veículos aprovados de pagar a taxa.

Na mesma unidade, o consultor Joseph Haddad, de 51 anos, corria para se precaver. "Estão falando isso do licenciamento, mas prefiro não arriscar e deixar tudo em dia. É bom garantir." Até a tarde de ontem, 3 milhões de veículos haviam sido inspecionados pelo calendário de 2013, 69,2 mil foram reprovados, 7,7 mil não fizeram a inspeção.

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