Hélvio Romero/ Estadão
Hélvio Romero/ Estadão

Motoristas e pedestres cobram recapeamento de vias que tiveram ciclofaixas reformadas

Na Rua Frederico Abranches, na Santa Cecília, na região central, há buracos na via e faixa de pedestres com a Rua Dona Veridiana está com problema semelhante; Prefeitura afirma que investirá R$ 250 milhões nesse tipo de serviço

Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2020 | 15h00

SÃO PAULO - De um lado da avenida, a ciclofaixa recém-reformada pela Prefeitura é aprovada pelos ciclistas. Mas basta olhar para as faixas de carros e pedestres para encontrar buracos e desnivelamento. O cenário, observado em diversas partes da cidade de São Paulo, é motivo de queixas por parte de motoristas e também de pedestres.

Na Rua Frederico Abranches, na Santa Cecília, na região central, o espaço das bicicletas já recebeu novo recapeamento e está na fase de pintura da linha de bordo. Mas o asfalto do restante da via permanece com o mesmo desgaste e buracos, inclusive na faixa de pedestres, na esquina com a Rua Dona Veridiana, conforme constatou o Estado na quinta-feira, 6.

A secretária Edna Andrade, de 58 anos, conta que sua mãe mora na região e sempre que precisa sair de casa liga para ela. "Só estão arrumando a ciclofaixa. Na faixa de pedestres há pelo menos três buracos. Para minha mãe, é impossível atravessar a rua sozinha. Ela sempre me chama porque precisa segurar em mim para não tropeçar nos buracos. A (Rua) Frederico Abranches também tem buracos, alguns não foram tapados adequadamente, e isso também pode provocar acidentes entre carros".

No fim de agosto do ano passado, a Prefeitura de São Paulo iniciou o programa de revitalização de ciclofaixas na cidade, que no início assustou ciclistas que achavam que as vias estavam sendo apagadas pelo novo recapeamento, já que não havia informações claras sobre a iniciativa. Depois, a nova sinalização ganhou aprovação. No entanto, a falta de manutenção em toda a via gera reclamações por parte de motoristas e pedestres.

Na Rua Thomé de Souza, na altura do número 600, na Lapa, na zona oeste da cidade, o desnivelamento do asfalto se tornou ainda mais visível após o trecho de bicicletas ganhar novo asfalto.

"É preciso realizar o serviço em toda a via, não somente na ciclofaixa. O asfalto todo está desnivelado. Dentro do carro é possível sentir o veículo balançar e, quando há buracos, sinto o solavanco (movimento brusco que o carro faz quando passa por ruas esburacadas)", disse o engenheiro e motorista Renato Francesi, de 64 anos.

Além de buracos, outros problemas são observados em vias que têm ou tiveram as ciclofaixas revitalizadas. Na Rua Cândido Espinheira, em Perdizes, na zona oeste, a área para bicicletas já recebeu nova pintura, mas parte da faixa de pedestres, que acabou sendo recapeada, permanece sem a pintura.

O ciclista e motorista Maurício Balukian, de 56 anos, cobra agilidade do poder público na finalização dos serviços. "Pagamos impostos caríssimos para usar tudo com perfeição, seja como pedestre, motorista ou ciclista." Mesma agilidade ele pede no serviço das vias que estão esburacadas e tiveram ciclofaixas reformuladas. "Assim que as reclamações chegam é preciso dar apoio imediato para que a situação não se agrave e o conserto seja feito o quanto antes."

Na Rua Ministro Godói, em Perdizes, na zona oeste, o trecho de ciclofaixa já foi concluído, mas as rachaduras no asfalto restante permanecem.

Taxista há 14 anos, Francisco da Silva Netto dirige diariamente pelas ruas da cidade. Para ele, o asfalto com rachaduras, ondulações e os buracos são os principais transtornos. "Estão consertando as faixas de bicicletas. Ficaram boas, mas é preciso dar atenção para a manutenção de toda a via, não somente no local destinado para bicicletas. Precisa fazer o serviço completo e bem feito. Cuidar do espaço para bicicletas, carros, ônibus e pedestres."

Recapeamento de vias

Para Eleana Patta, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, a Prefeitura de São Paulo possui ferramentas que poderiam agilizar o recapeamento de vias com problemas. "A cidade é equipada com sistemas de monitoramento de todos os serviços. Quando o cidadão fornece a posição de uma 'anormalidade' em uma via pública, esse problema fica guardado no sistema, facilitando o planejamento da execução do serviço."

Eleana explica que são os engenheiros das subprefeituras e da própria Prefeitura os profissionais responsáveis por decidir como serão realizados os reparos nas vias. "Eles determinam quais técnicas e materiais serão utilizados, qual trecho será recapeado e de que maneira essas atividades deverão ser realizadas."

Ela destaca que a população deve exigir que as obras sejam executadas com qualidade e durabilidade para evitar acidentes. "Além de consertar, é necessário garantir a qualidade dos serviços para que se conservem por mais tempo. A falta de manutenção adequada de vias compromete a saúde e a segurança dos usuários, além de exigir maior manutenção dos veículos", disse.

Manutenção

Questionada sobre a pavimentação de vias com ciclofaixas que passam por requalificação, a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal das Subprefeituras, disse que está realizando levantamento dos locais que precisam de manutenção. O investimento previsto para o recapeamento de vias é de R$ 250 milhões. "Cerca de 50% dessas vias receberão algum tipo de intervenção de recapeamento", afirmou, em nota. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) também disse que será feita vistoria para verificar os problemas citados pelo Estado.  

Já o Plano Cicloviário de São Paulo, que pretende aumentar de 503 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas existentes para 676 até o fim de 2020, com 173 novas conexões, tem orçamento previsto em R$ 325 milhões.

A Prefeitura anunciou em dezembro do ano passado o novo programa que prevê a criação de ciclovias nas Avenidas Henrique Schaumann e Rebouças, na zona oeste da cidade, para conectar as já existentes nas Avenidas Sumaré, Paulista e Brigadeiro Faria Lima, chegando até a Engenheiro Luís Carlos Berrini, na zona sul. 

A ciclovia da Radial Leste, que liga as estações do Metrô Corinthians-Itaquera e Tatuapé, também ganhará 5,7 quilômetros e chegará até o centro da cidade, no Parque Dom Pedro II.

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