Marcio Fernandes / Estadão
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Motoristas e cobradores desistem de greve em SP; metrô deve parar terça-feira

Serviço de ônibus na capital foi afetado nesta semana por paralisações, mas trabalhadores aceitaram proposta das empresas

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

20 Maio 2016 | 18h27

SÃO PAULO - Após realizar dois protestos nesta semana, com paralisações do serviço de transporte público municipal, motoristas e cobradores desistiram de dar prosseguimento aos atos e anunciaram ter aceitado a proposta das empresas de ônibus, cujos detalhes não foram divulgados. A rotina de passageiros da capital, no entanto, deve voltar a ser alterada na próxima terça-feira, 24, quando os metroviários prometem cruzar os braços durante todo o dia.

Os motoristas e cobradores de ônibus da capital reivindicavam aumento real de 5% no salário, reajuste do tíquete refeição de R$ 19 para R$ 25 e participação nos lucros de R$ 2 mil - o dobro do valor pago no ano passado. A pauta também incluía convênio odontológico gratuito, seguro de vida e auxílio funerário. Já a proposta inicial das empresas de transportes havia sido de reajuste salarial de 2,31%, abaixo da inflação, e do tíquete refeição.

Durante a negociação, os trabalhadores pararam por duas horas na quarta-feira, afetando cerca de 1,5 milhão de passageiros no período, segundo estimativa da Prefeitura. Na quinta, eles voltaram a iniciar uma manifestação, interrompendo o serviço por cerca de 1 hora, quando foi anunciado a interrupção do ato. Em assembleia nesta sexta-feira, 20, a classe decidiu aceitar a proposta do  Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo (SPUrbanuss) e anunciou que a negociação foi encerrada com sucesso.

Metrô. O sindicato dos metroviários decidiu fazer uma greve de um dia de paralisação na próxima terça-feira, dia 24. A categoria anunciou o protesto como reação às negociações com o Metrô, que ainda não apresentou uma proposta de reajuste salarial para este ano. Segundo o sindicato, a greve é uma advertência, resultado de uma carta que teria sido apresentada pela empresa nesta semana retirando benefícios adquiridos em campanhas salariais anteriores.

A partir de segunda-feira, 23, os funcionários da empresa deverão trabalhar sem uniforme e os agentes da segurança terão uma braçadeira da campanha salarial. As ações foram definidas em uma assembleia ocorrida nesta quinta-feira, 19, na sede do sindicato, no Tatuapé, zona leste da cidade.

Segundo a entidade, a carta do Metrô faria menção à cortes nos porcentuais recebidos pelos metroviários no adicional noturno, hoje em 50%, e nas horas extras, que é de 100%, além da expectativa de rever os horários da escala de trabalho - parte dos funcionários têm meia hora do almoço paga pela empresa. Esses benefícios, superiores ao que é pago para trabalhadores de outras categorias, foram obtidos em greve do ano passado.

"A grave é uma advertência que vem em meio a uma série de notícias sobre cortes que afetam a companhia, incluindo redução de investimentos, contingenciamento das gratuidades que são pagas pelo governo à companhia e o repasse de R$ 333 milhões da empresa à ViaQuatro, que administra a Linha 4-Amarela", disse Sérgio Renato da Silva Magalhães, integrante da diretoria executiva do sindicato. 

No dia da greve, os metroviários planejam um ato conjunto, com trabalhadores da Sabesp, da Fundação Casa e de outras entidades do governo do Estado, para protestar contra a gestão Geraldo Alckmin (PSDB). O ato será na Praça Roosevelt, no centro da capital, e está marcado para começar às  17 horas.

'Greve política'. Em nota, o Metrô lamentou a decisão de paralisação, considerando-a prematura, e disse que as propostas da empresa sequer foram ouvidas. "A Companhia repudia a tentativa de uma greve política sem qualquer justificativa, sem considerar os impactos para a população de São Paulo, que já passa por dificuldades com a crise econômica no país", declarou.

A empresa disse ter manifestado a sua disposição para continuar as negociações, "com a proposta de realizar mais uma reunião na próxima quarta-feira, 25, para atender a uma solicitação feita pelo próprio Sindicato". "Nesse encontro, seria apresentado o índice econômico, que reajusta salários, benefícios, auxílios, adicionais e gratificações, além da discussão de demais pendências do Acordo Coletivo de Trabalho", acrescentou o Metrô.

A companhia disse que, mesmo diante da crise econômica do País, "preserva a qualidade de seus serviços, garantindo a gratuidade de todos os usuários com direito ao benefício". 

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