Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Motoristas de ônibus paralisam todos os terminais paulistanos

Trabalhadores reivindicam aumento salarial de 9,9%, vale-refeição com valor unitário de R$ 22 e participação no lucro de R$ 2 mil; valores oferecidos pelo sindicato patronal são menores

Felipe Resk e Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

12 Maio 2015 | 11h15

Atualizada às 13h41

SÃO PAULO - Motoristas e cobradores de ônibus cruzaram os braços e fecharam todos os 29 terminais de ônibus da capital paulista administrados pela São Paulo Transporte (SPTrans) na manhã desta terça-feira, 12. Os trabalhadores reivindicam aumento salarial de 9,9%, vale-refeição com valor unitário de R$ 22 e participação no lucro de R$ 2 mil.

Segundo o presidente do Sindicato dos Motoristas e Funcionários do Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindmotoristas), Valdevan Noventa, a paralisação é um alerta para o setor patronal e a administração municipal. "A manifestação é um repúdio à proposta apresentada pelos patrões, que já foi reprovada pela categoria", afirmou.

Segundo Noventa, o sindicato patronal ofereceu aumento de 7,21%, que corresponderia apenas à inflação, além de vale-refeição de R$ 17,69 e participação no lucro de R$ 600.

Em nota, a Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo (SPUrbanuss) considerou a manifestação "intempestiva" e declarou que pode "ocasionar sérios transtornos à mobilidade do paulistano".

A paralisação estava marcada para começar às 10 horas. No Terminal Parque Dom Pedro II, na região central, meia hora antes do horário previsto já havia ônibus encostados. Às 9h45, os motoristas já eram impedidos por manifestantes de darem partida nos coletivos. No entanto, não houve tumulto.

Por volta das 9h40, vários ônibus já cruzavam a Avenida Rudge, na região do Bom Retiro, sentido Ponte da Casa Verde com a sinalização desligada, indicando apenas o nome da viação, e sem transportar passageiros. 

Já no Terminal Pinheiros, na zona oeste, onde circulam 20 linhas, cerca de 60 motoristas e cobradores cruzaram os braços na manhã desta terça-feira. O movimento de usuários era tranquilo por volta das 11 horas. Alguns passageiros aguardavam a volta da circulação dos ônibus. Outros tinham de encontrar alternativas para se locomover.

O serviço de som do terminal informava que, por causa da "paralisação dos operadores", as linhas "não operarão das 10h ao meio-dia".

A camareira Diana Lopes, de 23 anos, saiu do serviço e chegou às 10h ao local, onde pegaria um ônibus para o Terminal Jardim Ângela, na zona sul. De lá, iria para casa, no Parque Jardim Figueira, também na zona sul. Ela disse que tinha ouvido "um boato" de que os coletivos iam parar, mas como viu os ônibus circulando normalmente antes das 10h, não imaginou que a paralisação se concretizasse. 

"Mesmo indo de metrô ou trem, vou ter que pegar um ônibus de qualquer jeito. Sorte a minha que meu marido trabalha perto. Ele vai sair do serviço para vir me buscar", disse Diana.

A camareira afirmou que entende a paralisação como uma forma justa de reivindicar direitos dos trabalhadores, mas lamentou o prejuízo aos passageiros.  "Não deviam parar tudo de uma vez. Quero é ver se desse jeito vai só até o meio-dia", declarou. 

Vinte linhas operam no Terminal Pinheiros e a orientação da SPTrans é de que os usuários acessem a Estação Pinheiros da Linha 4-Amarela do Metrô ou da Linha 9-Esmeralda da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

Sem plano de contingência. "Como a paralisação é só de duas horas, não foi necessário ativar o plano de contingência" afirmou José Paulino de Goz, funcionário da SPTrans. Segundo ele, a paralisação não vai se estender além do meio-dia e está descartada ainda a possibilidade de que motoristas e cobradores furem os pneus dos ônibus.

Segundo um representante do Sindmotoristas presente no Terminal Pinheiros, a paralisação afeta 80% de toda a frota da capital paulista. "A paralisação foi escolhida entre 10h e meio-dia para não prejudicar a população. O nosso foco é a campanha salarial e um protesto contra a redução de frota prevista na nova licitação", afirmou.

As cooperativas de motoristas e cobradores, que operaram micro-ônibus na capital, não foram afetadas pela paralisação e operam normalmente na manhã desta terça-feira.

Uma assembleia está marcada para a manhã da próxima quinta-feira, 14. Caso não haja uma nova proposta,  o Sindmotoristas não descarta novas paralisações.

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