Motoristas encurtam paralisação e marcam assembleia para sexta

Greve, que seria das 14h às 16h desta quinta-feira, acabou às 15h; viações fizeram proposta, que será avaliada pela categoria

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

19 Maio 2016 | 15h14

SÃO PAULO - Motoristas e cobradores de ônibus decidem nesta sexta-feira, 20, se mantêm o movimento que vem paralisando corredores e terminais de São Paulo há dois dias. Nesta quinta, os coletivos pararam de rodar das 14 às 15 horas, uma hora a menos do que o inicialmente previsto pela categoria, que prometia cruzar os braços até as 16h. Eles receberam nova proposta de reajuste e devem estudá-la hoje.

Na hora do ato, a lentidão chegou a 53,8 quilômetros de extensão na cidade, acima da média para o horário, de 49,5 quilômetros. Mas ficou abaixo da média no horário de pico da tarde.

O Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores do Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindmotoristas) não informou o teor da proposta recebida dos empresários do sistema de transporte. Disse apenas que era “mais vantajosa” do que a oferecida na primeira negociação com a categoria. 

Os sindicalistas pediam a correção da inflação e um aumento real de 5% nos salários, além de outros benefícios e da garantia de que as empresas não demitiriam os cobradores de ônibus. Os empresários do setor estariam oferecendo um reajuste de 2,31%, sem correção da inflação. Nesta quarta-feira, 18, como um primeiro aviso, os ônibus haviam sido paralisados entre as 10 horas e o meio-dia.

Passageiros. Nesta quinta, novamente, todos os 29 terminais de ônibus da cidade ficaram paralisados, prejudicando milhares de pessoas. “Tinha uma consulta marcada aqui no centro, não consegui sair da zona sul até as 15 horas”, disse a dona de casa Sônia Maria Souza, de 26 anos, que tentava levar a filha de 5 ao médico, na tarde de ontem. Elas ficaram presas no Terminal Santo Amaro, na zona sul, e só conseguiram chegar ao Terminal Bandeira, no centro, depois que os coletivos voltaram a operar. “Os motoristas estavam parando o ônibus antes das 13 horas”, afirmou a mãe, que tentava proteger a criança do frio.

A interrupção da paralisação de ontem uma hora mais cedo deixou motoristas e fiscais de empresas da região central contrariados. “A gente tinha de pelo menos ir até o fim hoje, deixar bem claro que a gente não está brincando. Queremos um aumento digno, um reajuste que dê para fazer o mercado. O que estão oferecendo é piada”, disse o funcionário de uma das empresas, que estava no Terminal Bandeira.

Caso a proposta patronal não seja aceita hoje, o sindicato não descarta novas paralisações nem uma greve geral a partir da semana que vem.

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