Motorista terá de parar para pessoas passarem

Prefeitura diz que no primeiro mês de campanha vai investir em ações de orientação, mas, em seguida, deve intensificar as multas contra infratores

Renato Machado, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2011 | 00h00

A fase inicial da campanha pela redução de atropelamentos prevê que marronzinhos da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e orientadores de tráfego trabalhem principalmente na conscientização dos motoristas sobre a importância de respeitar os pedestres. A orientação será não só fiscalizar, mas também evitar que as infrações aconteçam. Após um período de avaliação, que deve durar cerca de um mês, a aplicação de multas para quem desrespeitar a Zona Máxima de Proteção ao Pedestre (ZMPP) será intensificada.

Sempre que a pessoa pisar sobre a faixa de pedestres nos 11 pontos escolhidos, orientadores de tráfego vão balançar bandeiras na frente dos veículos. Agentes da CET, cujo efetivo será reforçado nessas áreas, também deverão parar o trânsito para garantir a travessia segura.

"O objetivo é envolver a sociedade. Mas, depois de um tempo, haverá intensificação da fiscalização, até para que os motoristas saibam que serão punidos se descumprirem as regras", diz o secretário dos Transportes, Marcelo Cardinale Branco.

Parte do programa da capital paulista será inspirada no que foi adotado em Brasília em 1998. Um forte trabalho de conscientização e o aperto na fiscalização fizeram aumentar o respeito às regras de trânsito, principalmente em relação aos pedestres. Na capital federal, em vias não expressas, todos os veículos são obrigados a parar - e param - sempre que uma pessoa usa a faixa de segurança.

Uma diferença em relação a São Paulo é que os trabalhos na maior cidade do País serão aplicados em três casos: sem semáforo, apenas com semáforo para pedestres e em locais com semáforos para pedestres e motoristas. Além de trabalhar na conscientização, a CET estuda eliminar "pontos de conflito" entre motoristas e pedestres, como no cruzamento da Avenida Paulista com a Rua Augusta. Lá, uma das medidas em estudo pelos técnicos é manter a conversão à direita sempre com sinal verde no semáforo para os motoristas, a exemplo do que ocorre em vias de Nova York. Os veículos só seriam obrigados a parar quando um pedestre estivesse atravessando no local.

Multas. Apesar de reconhecer a importância das medidas, motoristas temem que a nova postura do poder público seja mais uma forma de arrecadar recursos para os caixas da Prefeitura. "Tem de multar quem desrespeitar a regra, mas não pode punir também motoristas que não pararem em faixas de pedestres em que o fluxo de carros é contínuo. É mais fácil um pedestre esperar do que parar toda uma avenida", diz o gerente administrativo Daniel Lourensso, de 28 anos.

Os pedestres, por sua vez, acreditam que apenas multas pesadas podem trazer mudanças. Eles também reclamam da falta de agentes e PMs nas esquinas. "Quando um motorista vê um marronzinho, ele muda a forma de agir, mas não adianta nada ter um em uma esquina enquanto nas outras ninguém para", diz a professora Maria Paula Fernandes, de 34 anos.

PARA LEMBRAR

Esta não é a primeira campanha lançada pela Prefeitura para tentar reduzir os atropelamentos. Em dezembro de 2008, o então secretário dos Transportes, Alexandre de Moraes, anunciou que agentes da CET reforçariam a fiscalização sobre veículos que desrespeitassem a faixa de pedestres.

Além disso, atores e palhaços fariam encenações nos cruzamentos para conscientizar os motoristas. As operações, chamadas de Travessia Segura, se mantiveram até o ano passado, mas sem frequência determinada.

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