Motorista ''se perde'' em corredor na Vila Mariana

No primeiro dia de operação na Domingos de Morais, faltou sinalização sobre mudanças

Paulo Saldaña e Felipe Tau, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2011 | 00h00

O início da operação do novo corredor de ônibus reversível da Rua Domingos de Morais, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, causou confusão entre motoristas que transitaram na via e também nas ruas do entorno. Muitos foram pegos de surpresa com o fim da conversão à esquerda entre a Rua Afonso Celso e a Domingos de Morais.

Antonio Rodrigues, de 42 anos, que trabalha há 5 como instrutor de autoescola na Domingos de Morais, se atrapalhou com a proibição. Às 7 horas, ele tentava fazer o retorno com o primeiro aluno do dia, mas foi impedido por cavaletes fechando a passagem - o bloqueio de concreto ainda não foi concluído.

Nas voltas seguintes, indo no sentido centro, Rodrigues passou a usar a Rua Dr. Diogo de Faria e a Rua Marselhesa para cruzar a Sena Madureira e voltar à autoescola. Esse é o trecho oficial indicado pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), mas o tempo gasto foi maior. "Levei uns 15 minutos a mais."

A conversão foi a principal mudança para o corredor de ônibus. A faixa funciona desde ontem na Domingos de Morais no trecho entre as Ruas Santa Cruz e a Afonso Celso, apenas no horário de pico: de segunda a sexta, das 6h às 9h e das 17h às 20h. Com 700 metros de extensão, serve 13 linhas de ônibus.

Ao longo do corredor não havia sinalização sobre a conversão. "Rodei toda a Afonso Celso e não vi nenhuma orientação", afirmou a psicóloga Luciane Cericato, de 32 anos. A única faixa informando do bloqueio estava bem onde começava a interdição. Depois da Afonso Celso, sentido centro, também não havia indicação de rota alternativa para quem errou o trajeto.

Exclusivo. Já no corredor, mesmo com placas informativas e sinalização horizontal, motoristas desavisados trafegavam pela pista exclusiva ontem à noite. A chefe de cozinha Verônica Mascarenhas, de 23 anos, era uma delas. "Nem reparei que virou exclusivo. Podia ter mais placas e faixas, pelo menos até a gente se acostumar", disse ela, que dirige quase todos os dias pela rua. "Não percebi melhora no trânsito, acho que está igual."

Das 19h às 20h, a reportagem flagrou nove carros na pista dos ônibus. O trânsito estava normal. Os motoristas abordados também argumentaram não conhecer a nova disposição da Domingos de Morais. "Acabei de perceber, tomara que não tome multa", disse um motorista. Segundo a CET, ontem os agentes não aplicaram multas, mas elas serão anotadas a partir de hoje.

Apesar da faixa exclusiva, quatro ônibus foram vistos trafegando nas pistas que sobraram aos veículos. Um dos motoristas disse ao Estado que "desviava de carros estacionados".

De fato, mesmo no horário de funcionamento do corredor, pelo menos 11 carros estavam estacionados, mas não no trecho onde andava o coletivo. Além de um ponto de táxi (veja acima), há uma igreja com grande movimento e vários restaurantes. "O trânsito pode ficar melhor, mas para mim vai dificultar porque preciso descarregar mercadorias entre as 19h e as 20h", disse o comerciante Valdemir Vieira Filho, de 22 anos, dono de um restaurante. A CET informou que está reforçando a sinalização e que as obras serão concluídas em dois meses e meio.

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