Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Motorista que atropelou jovem em São Paulo se apresenta à Polícia

Vagner Fraga Ferreira foi indiciado por homicídio com dolo eventual e omissão de socorro; como ele não foi preso em flagrante, o autônomo ficará em liberdade até um eventual julgamento

Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

21 Novembro 2013 | 19h18

Atualizada às 22h24

SÃO PAULO - Acusado de atropelar e matar na quarta-feira, 20, a jovem Jéssica Rodrigues da Silva, de 22 anos, o autônomo Vagner Fraga Ferreira se apresentou à polícia nesta quinta-feira, 21. Ele foi interrogado no 7º DP por cerca de duas horas, das 19h15 às 21h15. Ferreira foi embora sem falar com a imprensa e ficará em liberdade até um eventual julgamento - como ele não foi preso em flagrante, a legislação não permite a sua prisão.

O delegado Marcel Druziani o indiciou nesta quinta por homicídio com dolo eventual e omissão de socorro e caberá à Justiça instaurar uma denúncia contra Ferreira.

O delegado disse que não ficou convencido com a versão dele dos fatos. "Essa versão é a única que temos de diferente do contexto total. A confissão do indiciado para a polícia é a menor prova que existe. As principais provas são aquelas que se somam umas às outras e isso nós temos - testemunhas que nos falam (uma versão) totalmente diferente da que eles nos deu e provas materiais como o dano causado ao veículo e à vítima, que demonstram o excesso de velocidade."

Segundo o delegado, Ferreira confessou que estava com a carteira de motorista suspensa por causa de multas - e não vencida - e que dois carros perto dele na Edgar Facó faziam um racha, o que o obrigou a mudar de pista e não permitiu visualizar Jéssica. Também segundo Ferreira, ela atravessava a via fora da faixa de segurança e quando o sinal estava verde para o carros.

Ele ainda afirmou ao delegado que não prestou socorro porque seis pessoas vieram na sua direção e na dos dois amigos que estavam com ele no carro, e eles teriam ficado com medo de serem linchados.

Os três então se dirigiram à Marginal do Tietê e pegaram um ônibus para casa. Ferreira teria ficado na casa de uma amiga até esta quinta, 21, que será ouvida pelo delegado na segunda-feira, 25.

"Andar a 80 km/h numa pista de 60 km/h não quer dizer que ele tenha culpa exclusiva no evento", afirmou o advogado de Ferreira, Roberto Vasconcelos da Gama. "Se você pinçar aqueles depoimentos todos é fácil atribuir a culpa exclusiva ao condutor do veículo. É só dizer que ele estava participando de um racha". Para o advogado, a vítima também teve culpa na hora do acidente.

O delegado vai ouvir mais duas testemunhas de acusação nesta sexta-feira, 22, que são amigos que estavam indo para festa com Jéssica e presenciaram o fato. Na segunda, ouvirá as duas pessoas que estavam com Ferreira no Stilo amarelo quando houve o acidente.

Caso. Jéssica Rodrigues da Silva foi atropelada e arrastada por 200 metros na Ponte do Piqueri, zona norte da Capital, na madrugada de quarta-feira, 20. Ela morreu na hora. Testemunhas afirmam que ela atravessou a via com quando o sinal para os motoristas estava vermelho. O motorista do carro fugiu sem prestar socorro.

Jéssica iria começar em um novo emprego nesta quinta-feira, 21. Ela deixa uma filha de quatro anos.

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