Motorista não vê faixa de pedestre, mostra pesquisa

Estudo da FGV com 40 motoristas paulistanos constatou que eles não estão acostumados a prestar atenção à sinalização horizontal

Caio do Valle, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2011 | 00h00

Os motoristas de São Paulo não estão habituados a prestar a devida atenção às faixas de pedestres. Outros elementos na paisagem, como carros, motos e pessoas dentro e fora das calçadas, tendem a estimular bem mais a visão, segundo pesquisa do laboratório de neuromarketing da Fundação Getúlio Vargas (FGV).    

 

Veja também:
link
Número de atropelamentos cai 64% em 35 cruzamentos após campanha
linkEm 10 dias de programa de defesa ao pedestre, CET já aplica 4 mil multas

link Câmera vai multar quem invadir as faixas de pedestre

O estudo foi feito a pedido da agência que criou a campanha da Prefeitura para incentivar o respeito ao trecho do asfalto destinado ao pedestre. O vídeo começou a ser divulgado nesta semana na televisão. Um homem vestido como faixa aparece tentando atravessar a rua e quase sendo atingido por alguns carros.

Para o estudo, os pesquisadores selecionaram 40 pessoas que dirigem diariamente na capital e mostraram cinco fotos com situações diferentes de pedestres atravessando vias na cidade. As imagens também tinham pequenos textos publicitários. Um aparelho registrou os locais focados pelos olhos dos participantes. Em todas as imagens - expostas em uma tela durante dez segundos cada -, os participantes praticamente não olharam para a faixa de travessia.

"Percebemos que a faixa não faz parte do dia a dia das pessoas, como um ente ativo", diz o engenheiro eletrônico e coordenador do laboratório de neuromarketing da FGV, Carlos Augusto Costa. "Como ninguém tem intimidade com ela, então não é tão respeitada."

Outro resultado da pesquisa é que rostos geralmente chamam a atenção dos motoristas. "Os rostos criam um engajamento emocional. Por isso, há uma recomendação para que se atravesse a rua olhando para o lado de onde vem o carro", diz Costa. Ele acrescenta que a atitude ajuda a criar uma proximidade com quem está dirigindo.

Pedestres. O presidente da Associação Brasileira de Pedestres, Eduardo José Daros, concorda que a faixa é como se fosse "invisível" aos motoristas. "É por isso que os veículos respeitam mais as faixas onde há semáforo. Onde não tem, geralmente desobedecem." No entanto, para ele, a tendência é de que a obediência à área de travessia aumente com a intensificação da fiscalização do desrespeito aos pedestres, iniciada há um mês pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) no centro da capital.

"Normalmente, primeiro presto atenção no semáforo, e depois vejo se tem faixa de pedestres antes", diz a universitária Marina Gonsalez, de 22 anos. Já a cabeleireira Glauce Helena Alves, de 35, acha que os condutores obedecem a sinalização. "Quando o sinal fecha e tenho de parar o carro na faixa, me sinto mal."

Para o taxista José Warrison da Cunha, de 53, muitos motoristas "queimam" a faixa antes do sinal verde. "Dá a sensação de que querem competir com o outro para ver qual sai primeiro."

DUAS PERGUNTAS PARA...

Eduardo José Daros, presidente da Associação Brasileira de Pedestres

1. Os motoristas de fato não costumam reparar nas faixas?

O motorista que está chegando a um cruzamento tem, sim, atenção, mas em relação aos veículos que possam bater nele.

2. E a condição das faixas atrapalha?

Muitas faixas estão em mau estado. A CET precisa deixar todas sempre bem pintadas e iluminadas. Iluminar as faixas reduz atropelamentos.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.