Motorista mata homem após discussão e briga no trânsito no interior de SP

Acusado de cometer o crime está internado e deve se apresentar à polícia nesta quarta

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

16 de agosto de 2011 | 18h32

SOROCABA - Uma discussão no trânsito de Botucatu, a 235 km de São Paulo, terminou com uma morte no domingo. O motorista Jonas Braga de Albuquerque, de 44 anos, é o acusado do crime e está internado num hospital da região desde domingo, quando se envolveu em um acidente. Ele deve se apresentar à Polícia Civil nesta quarta-feira, 17.

 

A briga começou após um acidente de trânsito. Albuquerque, depois de ser agredido, foi buscar um revólver e atirou contra os agressores. Adriano Antonio dos Santos, de 28, foi atingido por uma bala no peito e morreu. O irmão dele, menor de idade, escapou sem ferimentos.

 

Várias pessoas que presenciaram a briga telefonaram para a Polícia Militar e se desesperaram enquanto a viatura não chegava. Os áudios das ligações foram divulgados e, num deles, é possível ouvir o barulho dos disparos.

 

O advogado que acompanhará o autor do crime ao 3º Distrito Policial vai alegar que ele agiu em legítima defesa. Os diálogos entre as testemunhas e o serviço de emergência da Polícia Militar mostram que Jonas estava apanhando dos irmãos. Ele foi ferido na cabeça e teve de ser hospitalizado.

 

De acordo com a Polícia Civil, tudo começou quando o carro de Adriano perdeu o freio e bateu no veículo dirigido por Jonas, no Jardim Santa Maria 1, periferia da cidade. Ferido, Jonas tirou o filho de dois anos do carro e começou a discutir com o outro motorista. Um irmão de Adriano, que mora perto, correu até o local e os dois começaram a bater no homem.

 

Mesmo com outros ferimentos causados pelas agressões, Jonas correu até sua casa, ali perto, arrombou a porta e pegou um revólver. Em seguida, descarregou a arma na direção dos dois irmãos. Baleado, Adriano já estava morto quando a viatura da PM, chamada pelos moradores, chegou ao local.

 

Emergência. O acidente de trânsito e a briga chamaram a atenção dos moradores do bairro. Pelo menos três pessoas ligaram para a central de emergência da Polícia Militar pelo telefone 190. "Gostaria de fazer uma denúncia com urgência, senhora, com urgência. Acidente de trânsito e tem duas pessoas agredindo outro cara com madeira e pedaço de ferro". Na sequência, aparece a ligação de outra testemunha: "Eu acabei de ligar aí, eles foram buscar bala para atirar no outro, meu Deus."

 

Num novo telefonema, a pessoa chama a polícia e alerta para o desfecho fatal: "Tem de ser muito rápido, senão vai acontecer uma desgraça aqui." Em nova ligação, a testemunha diz em tom dramático: "Escuta os tiros, a senhora está escutando os tiros?". No áudio é possível ouvir os disparos. "Moça, pelo amor de Deus, está morto. Está dando tiro aqui, pelo amor de Deus!" A policial responde: "Senhora, a viatura está indo aí no Santa Maria 1, é só aguardar." A mulher finaliza: "Já está morto, meu Deus do céu."

 

O major da Polícia Militar Marcelo Amaral disse que não houve demora da polícia no atendimento à ocorrência. "A primeira ligação dava conta de um acidente de trânsito sem vítima. Entre o primeiro telefonema informando sobre a briga e a chegada da viatura no local transcorreram exatos três minutos. Para uma cidade como Botucatu, é um tempo aceitável."

 

Apesar da alegação de legítima defesa, Jonas deve ser indiciado por homicídio doloso - com intenção de matar - e, caso seja condenado, ficará sujeito a uma pena de até 30 anos de prisão. Caso se apresente, ele terá direito a responder o processo em liberdade por não ter antecedentes criminais.

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