Marcio Fernandes/AE–31/5/2011
Marcio Fernandes/AE–31/5/2011

Motorista ignora gesto do pedestre até diante da CET

Depois de uma semana, recomendação de dar passagem a quem acena para atravessar continua a ser desrespeitada no centro

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2011 | 00h00

Pedir passagem estendendo o braço ainda não garante que pedestres consigam atravessar em faixas de segurança sem semáforo. Em vigência há uma semana, a recomendação é descumprida por condutores em geral. A maioria ignora o gesto de pessoas a pé, até na frente da sede da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e na rua onde mora o prefeito, Gilberto Kassab (sem partido).

O motociclista profissional Sidney Santos, de 31 anos, tentou atravessar com o braço esticado na frente do prédio da CET na Rua Bela Cintra, no centro. Nada feito. Ele estava sobre a faixa, a 1 metro da guia, mas viu três carros e uma moto passarem direto, enquanto, do lado oposto da rua, outro pedestre indignado reclamava com os dois braços abertos. "Acho que falta conscientização mesmo", diz Santos, que garante dar passagem quando dirige. "Como motociclista, também sou pedestre e gosto de fazer gentileza."

A reportagem do Estado testou a recomendação por dois dias em oito diferentes pontos da região central (1.ª Zona de Máxima Proteção ao Pedestre) e constatou: o cumprimento varia de acordo com a educação e o humor do motorista. Também depende do horário e da quantidade de pessoas aglomeradas para atravessar. Condutores tendem a dar passagem em cruzamentos ou esquinas onde são obrigados a reduzir a velocidade, mas, a ultrapassar as faixas em trechos contínuos de rua.

O "gesto do pedestre" não funcionou na faixa de segurança da Rua Angelina Maffei Vita, a 180 metros da residência de Kassab. De 15 tentativas de travessia, somente quatro pessoas conseguiram que os carros parassem. "Se multarem vai funcionar. Quando veem (o pedestre), os motoristas piscam o farol, buzinam, tiram fina, mas não freiam", diz o prestador de serviços Alexandre Soares, de 31 anos.

Segundo a orientação da CET, o pedestre pode sinalizar com o braço à distância de até 50 metros do veículo. Deve-se levar em conta a visibilidade (se o condutor consegue ver) e a velocidade do automóvel. Se a rua for movimentada, um grupo tem de se juntar.

Promotores da CET com bandeiras estampadas com as frases "Dê preferência à vida" e "Respeite o pedestre" bloqueavam e liberavam a passagem em cruzamentos durante a semana. "O povo não está educado, nem motoristas nem pedestres. Ainda vai levar um tempo para adotar (o gesto )", diz o gerente de seguros Luis Carlos Massuia, de 47 anos, na Rua Líbero Badaró. "Fico com medo que levem meu bracinho", diz a analista de câmbio Isabel Cristina Gomes, de 34.

Novas placas. A CET informou que espera que o gesto faça parte da rotina do paulistano no prazo mais curto possível. Para ajudar na conscientização, hoje os agentes vão usar placas amarelas, no formato de mãos, para auxiliar na travessia de pedestres.

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