Motorista fura bloqueio e atropela 7 corredores

Maratonistas atingidos na frente do Ibirapuera não tiveram ferimentos graves; acusado foi preso por tentativa de homicídio

ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2012 | 03h02

Um motorista furou um bloqueio de trânsito e atropelou sete pessoas que participavam de uma maratona perto do Parque do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo, por volta das 8h30 de ontem. Nenhuma das vítimas teve ferimentos graves e o condutor, que não estava alcoolizado, foi preso por tentativa de homicídio.

O acidente ocorreu na Avenida Pedro Álvares Cabral, perto do Obelisco, durante a 20.ª Maratona Pão de Açúcar de Revezamento, que teve 36 mil inscritos. O motoboy Ricardo Gonçalves dos Santos, de 32 anos, só parou depois que seu Fiat Palio preto bateu em uma grade de proteção. Em seguida, de acordo com a polícia, ele tentou fugir a pé. Após ser detido pela Polícia Militar, Santos disse que sofreu agressões dos corredores.

Em depoimento, o homem afirmou que foi fechado e, por isso, acabou invadindo a prova não intencionalmente. Depois de exame de bafômetro, a polícia constatou que ele não havia bebido. Mesmo assim, o delegado Emílio Carlos Pernambuco, do 27.º Distrito Policial (Campo Belo), avaliou que Santos dirigia em velocidade incompatível com a via e assumiu o risco de matar os corredores.

Por isso, o delegado não arbitrou fiança e prendeu o rapaz por tentativa de homicídio com dolo eventual. Quando o caso chegar à Justiça, o juiz responsável ainda poderá fixar fiança.

Sem antecedentes criminais, Santos disse à polícia que na hora do acidente ia encontrar amigos para jogar futebol no Parque Villa Lobos, na zona oeste. A reportagem ligou para parentes do motoboy, mas ninguém quis se pronunciar sobre o episódio.

Impacto. Os maratonistas atingidos pelo veículo contaram que o motorista derrubou uma grade de proteção e só parou depois que o veículo bateu em um segundo obstáculo de metal.

"Eu vi um carro preto e não tive tempo de fazer mais nada. Bati de frente e um rapaz foi arremessado sobre mim", conta a publicitária Daniela Alexandra Fosca Martellini, de 51 anos, que já havia corrido um terço da prova.

Ela diz que chegou a "apagar" por alguns segundos após forte impacto na cabeça. Foi encaminhada ao Hospital Albert Einstein, onde recebeu pontos e foi liberada. "É uma situação bem incomum, que impressionou a mim e aos outros que estavam ali. Você corre em um lugar fechado e surge um carro do nada? Como pode?"

Dos sete atingidos pelo veículo, dois foram atendidos na hora. Os demais foram encaminhados a hospitais próximos pelo Corpo de Bombeiros e pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Nenhum dos corredores corria risco de vida, segundo os bombeiros.

Trânsito. Desde a meia-noite de ontem, a região do Parque do Ibirapuera estava fechada para a realização da maratona. O bloqueio feito no local causou lentidão na Avenida 23 de Maio.

Uma das pessoas atropeladas pelo veículo, o bancário André Braga, de 24 anos, disse que o condutor do carro tem de responder criminalmente. "Ele foi imprudente mesmo sem ter bebido. Havia a sinalização que ele não respeitou", disse. "Ele podia ter parado assim que bateu na primeira grade, que me atingiu, mas continuou e derrubou mais uma", acrescentou.

O rapaz conta que não viu o carro se aproximar. "Só senti o impacto da grade batendo no meu braço", contou. Ele disse que, mesmo após o impacto, resolveu continuar a correr e foi à delegacia apenas depois de completar a prova. / A.R.

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