Motorista de Uber vai blindar carro após ataque de taxistas

Motorista de Uber vai blindar carro após ataque de taxistas

Vítima foi fechada por taxis na Avenida Francisco Matarazzo; prejuízo é de R$ 7 mil e bando pode perder licença

Rafael Italiani, O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2016 | 16h49

Atualizada às 20h47

SÃO PAULO - Cinco taxistas atacaram com barras de ferro o carro do motorista do Uber Rafael Rodrigues Quessada, de 22 anos, na frente de uma casa noturna na Barra Funda, zona oeste de São Paulo, na madrugada de domingo. Quessada, que é motorista do aplicativo há quatro meses – e antes era taxista –, estava com uma passageira, que se feriu na ação. 

Com medo de novos ataques, o motorista afirmou que vai blindar o carro. Os agressores, segundo a Polícia Civil e a Prefeitura, são regulamentados pelo poder municipal para exercer a atividade e podem ter as licenças cassadas.

Os vidros e a lataria do carro modelo Honda Civic de Quessada, avaliado em mais de R$ 80 mil, foram danificados, causando um prejuízo de cerca de R$ 7 mil ao motorista. A passageira que seria transportada teve ferimentos leves causados pelos estilhaços dos vidros das janelas quebradas. Com medo de sofrer retaliações dos taxistas da região, a jovem não prestou queixa.

Após fugir, Quessada voltou ao local da agressão e viu que os táxis de onde os agressores desembarcaram ainda estavam na rua. Ele, então, conseguiu anotar as placas. “Eu já tinha sofrido violência verbal trabalhando, mas dessa vez passou dos limites”, disse.

No boletim de ocorrência registrado no 91.º DP (Ceagesp) consta que os carros pertencem a dois taxistas que têm o Cadastro Municipal de Condutores de Táxi (Condutax), documento obtido com a Secretaria Municipal de Transportes e exigido para exercer a atividade. 

Procurada, a pasta afirmou que “o Departamento de Transportes Públicos (DTP) abrirá processo administrativo e intimará os envolvidos a comparecer ao órgão para apurar os fatos”. De acordo com a secretaria, “poderá haver cassação” do Condutax, impossibilitando os envolvidos de participarem de novos sorteios de alvarás.

Em nota, a empresa Uber afirmou que “considera inaceitável o uso de violência contra cidadãos que respeitam as leis. Os motoristas parceiros têm o direito de trabalhar honestamente para ganhar seu sustento, assim como os usuários têm o direito de escolher como querem se mover pela cidade”.

‘Ex­companheiros’. Há quatro meses, Quessada largou a frota de táxis onde trabalhava para se tornar independente dos aluguéis cobrados por empresários que exploram o serviço na capital. “Eu começava o meu dia devendo R$ 150”, contou. 

Segundo ele, nada vai mudar em sua rotina de trabalho – seu turno continuará de madrugada. “Só vou mandar blindar o carro. Se me pegarem outra vez, o dano vai ser menor e eles não vão mais conseguir quebrar os vidros”, afirmou.

O presidente do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores nas Empresas de Táxi (Simtetaxis), Antonio Raimundo Matias, o Ceará, disse que a entidade condena a agressão. “É algo que a gente reprova e acha ridículo. Não concordamos e repudiamos. O pessoal do Uber também briga com os taxistas, mas não vai para a mídia. A gente vê todo dia violência dos motoristas e quem sai perdendo é o passageiro”, disse.

Outro caso. No dia 26 de novembro, um motorista do Uber foi agredido com chutes e pontapés por taxistas em Porto Alegre. Dois foram presos. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.