JF DIORIO/ESTADAO
JF DIORIO/ESTADAO

Taxistas fazem emboscada e agridem motorista de Uber em São Paulo

Grupo simulou chamado e cercou vítima; jovem de 22 anos foi rendido e ficou 30 minutos sob poder de grupo

Bruno Ribeiro e Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

10 de agosto de 2015 | 17h42

Atualizada às 21h42

SÃO PAULO - Um motorista do aplicativo Uber, de 22 anos, afirma que foi vítima, no sábado, 8, de uma emboscada feita por 20 taxistas, que teriam destruído seu carro e o ameaçado com uma arma. Ele foi feito refém e obrigado a circular com quatro deles por ruas da zona oeste. As agressões começaram, segundo conta, após ele atender suposto pedido de carona, que se tratava de uma armadilha. Até a noite desta segunda-feira, 10, a polícia não havia identificado nenhum dos criminosos.

O carro do motorista, um Hyundai Azera 2008, ficou “totalmente danificado”, segundo anotaram os policiais que fizeram o registro do caso. O motorista, que passa bem, percorreu salas do 15.º Distrito Policial (Itaim-Bibi) nesta segunda, dando esclarecimentos sobre o crime. Ele levou um soco no rosto e fez exame de corpo de delito.

O Uber é um aplicativo em que motoristas se oferecem para dar carona aos usuários, mediante pagamento. O caso ocorre em meio a uma série de resistências de taxistas com relação ao aplicativo, cujo serviço é descrito como “ilegal” pela Secretaria Municipal de Transportes.

Emboscada. Segundo contou à polícia, o motorista, morador da zona leste, recebeu um chamado às 3h22 para pegar um cliente na Rua Santa Justina, esquina com a Rua Clodomiro Amazonas. “Quando entrou na referida rua, percebeu a presença de aproximadamente 20 homens. Tentou logo dar ré no veículo, mas os taxistas fecharam a rua, impedindo sua passagem”, segundo o registro do caso. Os homens não estavam com táxis. Cercado, ele foi xingado enquanto os taxistas arremessavam pedras no veículo. 

O rapaz, então, saiu do carro e tentou correr. Mas foi alcançado por quatro taxistas - dois descritos como “gordos”, um careca e outro de cavanhaque. Um deles estava armado. O quarteto o obrigou a entrar em um táxi, um modelo Chevrolet Cobalt. Ele circulou no carro “cerca de 20 a 30 minutos”, e foi abandonado na Rua Funchal, perto da Avenida dos Bandeirantes, quando conseguiu pedir socorro.

O delegado Marco Aurélio Batista, titular do 15.º DP, afirmou nesta segunda que policiais percorreram os locais onde o caso ocorreu para buscar câmeras de segurança. Mas afirmou que ainda não havia identificado nenhum dos agressores. 

A categoria dos taxistas, por sua vez, já agiu para identificar os criminosos. Carlos Laia, secretário-geral do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores nas Empresas de Táxi de São Paulo (Simtetaxis), declarou que um dos taxistas que fizeram a emboscada já foi identificado e o nome dele foi passado ao Departamento Municipal de Transportes (DTP). “O sindicato levou o caso para o setor de disciplina do DTP. Também vamos ajudar a polícia”, afirmou.

O presidente do Sindicato dos Taxistas Autônomos de São Paulo (Sinditaxi), Natalício Bezerra, disse que “o ataque não foi cometido por taxistas, mas sim por criminosos”. Ele repudiou a ação contra o motorista, mas mantém as críticas feitas ao aplicativo.

Por meio de nota, a Uber, empresa que fornece o aplicativo usado no serviço, classificou a ação como “ato de barbárie” e informou que está prestando assistência ao motorista agredido. Uma das críticas ao serviço é a falta de vínculo empregatício entre empresa e motoristas.

Reação. Já a Prefeitura informou que, “ao tomar o conhecimento” do ataque, o prefeito Fernando Haddad (PT) “pediu à Secretaria Municipal de Transportes que inicie o processo administrativo de cassação dos alvarás dos taxistas que tenham comprovadamente participado do crime”. 

Tudo o que sabemos sobre:
UberTáxiSão PauloHaddad

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.