Motorista de jipe que atropelou e matou rapaz pode ser presa

Delegado diz que vai analisar pedido de prisão preventiva para nutricionista, que dirigia alcoolizada

William Cardoso, O Estado de S.Paulo

30 Julho 2011 | 00h00

A nutricionista Gabriella Guerrero Pereira, de 28 anos, pode ter a prisão preventiva solicitada pela polícia por ter atropelado, no sábado passado, o administrador de empresas Vitor Gurman, de 24 anos. Ele morreu anteontem, após cinco dias em coma. Ontem, foi realizado o enterro no Cemitério Israelita do Butantã, na zona oeste de São Paulo.

Laudo clínico apontou que Gabriella estava alcoolizada quando conduzia o jipe Land Rover do namorado, o engenheiro Roberto Lima, de 34 anos. Ela perdeu o controle do carro e atropelou Gurman. A nutricionista, que deverá ser ouvida até o fim da próxima semana, responde a inquérito por homicídio com dolo eventual (quando assume o risco de matar alguém).

"Vamos analisar os depoimentos colhidos, bem como as provas e a necessidade de representar pela prisão preventiva", afirmou ontem o delegado Manuel Adamuz, responsável pelo caso, registrado no 14.º Distrito Policial (Pinheiros). Ontem, mais duas testemunhas prestaram depoimento.

Segundo Adamuz, Gabriella permaneceu em liberdade após o atropelamento porque a vítima não havia morrido. Ela também não se negou a cumprir nenhuma determinação da polícia.

O delegado nega que a pressão da opinião pública tenha influenciado o seu trabalho na condução do inquérito. "Apuramos tudo de acordo com a legislação vigente."

Defesa. O advogado de Gabriella, José Luiz Oliveira Lima, não vê possibilidade de sua cliente ter prisão preventiva decretada. "É uma hipótese absolutamente inadmissível para um caso como esse, por falta de requisitos legais e de fatos objetivos", afirmou. Ele disse que ainda não conversou com a nutricionista, o que deve acontecer durante o fim de semana.

Enterro. O corpo de Vitor Gurman foi enterrado por volta das 12h30. Cerca de 560 carros passaram pela entrada principal do cemitério israelita e ao menos mil pessoas acompanharam o velório. A cerimônia foi marcada por elogios ao administrador de empresas e pedidos de justiça.

Pouco antes do enterro, dois amigos, um irmão e um colega de trabalho de Gurman se disseram indignados com a forma como ele morreu. Pediram também um basta à impunidade. "Eles prometeram para si mesmos que isso não vai se repetir. Não foi um enterro. Foi uma tragédia", disse a artesã Faiga Melighendler, de 76 anos, amiga da família.

Também amigo da família, o economista Sergio Skarbnik lembrou com carinho de Gurman. "Era muito querido, por isso tantas pessoas estiveram aqui hoje. Na religião judaica, é dito que cada geração tem 36 sábios. Ele era um deles", afirmou. O administrador Jairo Gurman, de 54 anos, pai do jovem morto, preferiu não falar com a imprensa.

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