Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Motorista atropela corredores na USP

De acordo com informações da Guarda Universitária, 1 das 5 vítimas morreu; eles corriam no campus da universidade, no Butantã

Adriana Ferraz; Fabiana Cambricoli; Luciana Magalhães; Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

16 Agosto 2014 | 10h45

Atualizado às 23h08

SÃO PAULO - Um motorista alcoolizado atropelou cinco pessoas dentro do câmpus da Universidade de São Paulo (USP), na zona oeste da capital paulista, na manhã deste sábado, 16. Um homem morreu e uma mulher ficou gravemente ferida. Eles praticavam corrida em uma das principais vias da Cidade Universitária quando foram atingidos pelo veículo em alta velocidade. O condutor do carro foi preso.

O acidente aconteceu por volta das 9 horas. O grupo de atletas corria perto do meio-fio da Avenida da Universidade, ao lado da Faculdade de Educação, quando foi atingido pelo Toyota Corolla. O analista de sistemas Alvaro Teno, de 67 anos, que é corredor, foi atingido e arremessado a uma altura de 2 metros. Ele chegou a ser levado para o Hospital Universitário, dentro do câmpus, mas não resistiu e morreu ainda pela manhã. 

A médica otorrino Eloísa Pires do Prado, de 43 anos, foi levada no helicóptero da PM para o Hospital Samaritano, na região central, com lesões nas pernas, quadril e traumatismo craniano. Ela passou por cirurgia e, às 19h40, foi levada para o quarto. Eloísa faz parte da equipe médica do Samaritano.

As outras três vítimas, um homem e duas mulheres, se feriram com menos gravidade. Uma das corredoras, amiga de Teno, teve um ferimento na perna, foi atendida no Hospital Albert Einstein e liberada às 11h30. A corredora Anelive Torres, de 36 anos, foi levada para a mesma unidade e continuava em observação no início da noite. 

O homem ferido, que não teve seu nome divulgado, foi levado para o Hospital Metropolitano da Lapa, na zona oeste, e recebeu alta às 16h30.

Anelive e Eloísa são amigas e treinavam para participar, pela primeira vez, da maratona de Buenos Aires, em 12 de outubro. O treinador delas sofreu escoriações, mas não chegou a ser hospitalizado.

Alcoolizado.O motorista do veículo, o pedreiro Luiz Antonio Machado, de 43 anos, foi preso em flagrante – o teste do bafômetro deu positivo. O exame detectou 0,54 decigramas de álcool. Ele foi indiciado por homicídio culposo (sem intenção de matar), lesão corporal e embriaguez ao volante. Ele está preso no 91.º DP e se recusou a prestar depoimento, segundo o delegado Mário Torina. Machado tem passagem pela polícia, mas o delegado não deu detalhes.

Aos policiais militares que atenderam a ocorrência, Machado teria falado que estaria indo trabalhar e dormiu ao volante. O veículo não está em seu nome, porque é financiado.

Segundo o engenheiro Daniel Lacerda Pagnozzi, de 32 anos, que testemunhou o atropelamento, Machado trafegava pela faixa do meio da pista e invadiu a faixa da direita, onde ficam os corredores. “Primeiro, ele acertou o senhor mais velho (Teno), que, com a força da batida, foi arremessado a uma altura de uns dois metros, bateu na árvore e caiu. Depois, ele atingiu o outro homem e as mulheres, que ficaram bem machucadas.” 

Houve revolta entre testemunhas, que tentaram agredir o motorista e até jogaram pedras no veículo, que teve a frente destruída. “Mesmo depois de acertar todo mundo, ele não freou e acabou batendo na árvore. Ainda tentou dar ré para fugir, mas o pessoal não deixou”, conta Pagnozzi, que diz ter tirado a chave do contato do carro para impedir a fuga de Machado.

“As pessoas estavam furiosas no local e tentaram linchar o motorista”, disse a atleta Giselli Souza, de 34 anos, que chegou à USP logo após o acidente. “Ele estava visivelmente bêbado, desceu do carro com ar de deboche.” Ela é amiga de Anelive e Eloísa e correm juntas. 

Morte. Álvaro Teno corria na USP havia 30 anos. Filho da vítima, o administrador Adolfo Martins Teno, de 35 anos, pede justiça. “A gente vê todos os dias acidentes por embriaguez, e as pessoas continuam dirigindo assim. Não dá para entender”, disse. “Agora foi dentro de um local que é tradicional para prática de esporte. A gente quer justiça.” A família não divulgou o local do velório nem do enterro.

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