CHELLO FOTÓGRAFO/FUTURA PRESS
CHELLO FOTÓGRAFO/FUTURA PRESS

Motorista atira em passageiro que se recusou a pagar em SP

José Marconi da Silva tentou fugir, mas acabou preso; ele deve responder por porte ilegal de arma e tentativa de homicídio

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

31 de agosto de 2015 | 09h14

Atualizada às 21h29

SÃO PAULO - O motorista de ônibus José Marconi da Silva, de 54 anos, foi preso em flagrante por atirar em um passageiro, após uma discussão, na madrugada desta segunda-feira, 31, no Paraíso, zona sul de São Paulo. Ele alegou ter sofrido ameaças, depois de o passageiro tentar passar pela catraca sem pagar. Amigos da vítima negam e dizem que houve preconceito. 

O crime ocorreu pouco depois da meia-noite nas imediações do Parque do Ibirapuera. Joaldo Santos Jesus, de 43 anos, entrou no veículo da Linha 5111-10 (Terminal Santo Amaro-Terminal Parque D. Pedro II) acompanhado de três amigos – todos hippies, que atuam vendendo artesanato na região da Paulista. Eles saíam de um show de jazz no parque.

Segundo a artesã Nádia Alves, de 30 anos, um quinto passageiro, desconhecido deles, também entrou no coletivo e pediu carona ao motorista, que se negou a transportá-lo. Irritado, o homem teria trocado xingamentos com o condutor, antes de descer.

Após presenciar a confusão, Jesus, que era conhecido entre os amigos do Center 3 como Bahia (por ser natural de Itaberaba, naquele Estado), criticou a postura do motorista. “Ele (Silva) ficou muito nervoso, começou a xingá-lo de ‘hippie sujo’ e disse que nosso amigo não era homem para brigar com ele”, disse Nádia. O bate-boca aconteceu na Avenida Brigadeiro Luís Antônio. “Nem deu tempo de a gente pagar. Mas ninguém queria pular a catraca.”

Silva e Jesus decidiram descer do ônibus, em determinado momento, e continuaram discutindo na rua. O motorista, então, sacou um revólver calibre 38 e atirou uma vez contra o artesão, que foi atingido no tórax. No momento do crime, havia cerca de dez passageiros no veículo. Desacordado, o artesão ficou estendido na calçada. O motorista fugiu. 

A polícia foi informada, e Silva acabou detido por uma viatura da Polícia Militar na Avenida Brasil. Inicialmente, teria negado qualquer confusão. Os PMs, porém, encontraram uma mochila escondida em uma moita, com documentos do motorista e o revólver, com o registro vencido. Foi então que o suspeito admitiu o disparo, mas alegou ter agido em legítima defesa por ter sido ameaçado por cinco passageiros, que se negaram a pagar a passagem.

Ele foi preso em flagrante e vai responder por porte ilegal de arma e tentativa de homicídio. Segundo a Polícia Civil, já havia boletins de agressão e ameaça contra ele. Jesus foi socorrido no Hospital das Clínicas, onde passou por cirurgia. Seu estado é grave, mas estável. A vítima também tem passagem por porte de entorpecente.

Em nota, a SPUrbanuss, que responde pelas empresas de ônibus, diz que a Viação Campo Belo acompanha o caso, aguarda a apuração policial e lamenta o ocorrido. “O empregado está há mais de dez anos na empresa e tinha boa conduta.” Ainda segundo o sindicato, os funcionários são treinados e passam por reciclagem a cada seis meses.

Bahia. “Trabalhar armado é uma barbaridade. O motorista tinha outros meios para resolver”, diz a irmã do artesão, Poliana Santos, que soube do caso pela televisão. “Nosso medo sempre foi porque ele entra em briga por qualquer um, quando acha que há injustiça.” Jesus é o quarto de oito irmãos e mora em São Paulo há mais de 20 anos.

Tudo o que sabemos sobre:
ViolênciaSão Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.