Hélio Torchi
Hélio Torchi

Motorista a 140 km/h morre na Marginal

Estudante, que teria tomado 2 garrafas de vinho, perdeu controle de seu Mercedes

William Cardoso, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2011 | 00h00

Mais um acidente envolvendo carro potente, alta velocidade e consumo de álcool terminou em tragédia na capital paulista. Desta vez, o estudante Patrick Firks Brukirer Fajer, de 20 anos, perdeu o controle de um Mercedes-Benz C 180k, na madrugada de ontem, na Marginal do Pinheiros, em direção a Santo Amaro, zona sul, e morreu na hora, depois de ser arremessado pela janela. Ele estaria a 140 km/h e não usava o cinto de segurança.

O acidente aconteceu por volta da 1h na altura da Ponte do Morumbi e deixou ferida a namorada de Fajer, Jéssica Maria de Carvalho Pinto, também de 20 anos. Ela, que teria recusado o atendimento médico, usava cinto de segurança e teve apenas ferimentos leves no joelho esquerdo e na mão direita.

Depois de bater em uma mureta de proteção da pista local da Marginal, o carro capotou várias vezes. Foi nesse momento que o estudante foi arremessado para fora do veículo.

O Mercedes desgovernado atingiu também a viatura na qual estavam os policiais militares Elcio Gonçalves de Souza, de 33 anos, e Jefferson Pires dos Santos, de 28, que pertencem ao Batalhão de Policiamento de Trânsito e estavam com o veículo estacionado. Eles sofreram ferimentos leves e foram encaminhados ao Hospital Universitário.

Abuso. Segundo depoimento da namorada à polícia, Fajer estava acima da velocidade permitida no momento em que perdeu o controle do carro. Ela contou que pediu a Fajer que reduzisse, mas o estudante não deu ouvidos à recomendação e insistiu em correr. Ele teria dito até que estava acostumado com a alta velocidade e Jéssica não precisaria se preocupar.

Instantes antes do acidente, o próprio motorista teria dito à namorada que estava a 140 km/h, o dobro da velocidade máxima permitida para a pista local da Marginal, que é de 70 km/h. Jéssica também disse à polícia que o estudante perdeu o controle do Mercedes quando tentou pegar a carteira em um dos bolsos da calça, com o veículo em movimento. Ela contou ainda que o namorado bebeu duas garrafas de vinho momentos antes de assumir a direção do veículo, outra infração de trânsito grave.

O valor de mercado do carro que Fajer dirigia no acidente é de cerca de R$ 120 mil. O Mercedes-Benz C 180 k pode atingir mais de 220 km/h - vai de 0 a 100 km/h em menos de 10 segundos.

No boletim de ocorrência, consta que o veículo está no nome da empresa Rhodium, que atua no mercado de construção civil e é de propriedade de Jacobo Samuel Brukirer Fajer, pai do estudante.

O corpo de Patrick Fajer foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML). Liberado na manhã de ontem, foi sepultado no fim da tarde no Cemitério Israelita do Butantã, na zona oeste.

O caso foi registrado como lesão corporal culposa no 89.º Distrito Policial (Portal do Morumbi). Apesar do depoimento de Jéssica de que o namorado dirigia em alta velocidade e havia ingerido bebida alcoólica, o acidente ainda será investigado pelo 34.º DP (Vila Sônia).

Estatística. De acordo com os dados mais recentes da Secretaria de Segurança Pública (SSP), 437 pessoas morreram em acidentes de trânsito, entre janeiro e julho deste ano, na cidade de São Paulo. No mesmo período, mais de 15 mil pessoas ficaram feridas.

CRONOLOGIA

Carros caros e três acidentes

9 de julho

O engenheiro Marcelo Alves de Lima, de 36 anos, bateu seu Porsche contra o Tucson da advogada Carolina Menezes Cintra, de 28, no Itaim-Bibi. Ela morreu na hora. Lima pagou fiança de R$ 300 mil.

23 de julho

De Land Rover, a nutricionista Gabriella Guerrero, de 28 anos, atropelou o administrador Vitor Gurman, de 24, na Vila Madalena. Ele morreu dias depois. Gabriella foi indiciada por homicídio com dolo eventual (quando assume o risco de matar).

31 de julho

O administrador João Luis Raiza Filho, de 30 anos, perdeu o controle de seu Camaro e invadiu uma praça em São Bernardo do Campo. Policiais o encontraram vestindo só camisa, com uma garrafa de uísque quase vazia. Ninguém ficou ferido.

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