Motociclista corre 17 vezes mais risco de morrer que motorista

Pesquisa da CET mostra que maioria dos acidentes com motos ocorre à luz do dia, mas 60% das mortes acontecem à noite

Fábio Mazzitelli, O Estado de S.Paulo

02 Julho 2011 | 00h00

O risco de morrer no trânsito de São Paulo é 17 vezes maior para os motociclistas do que para quem está em automóveis e o que mais contribui para o índice é o modo de dirigir do motoqueiro, entre carros e as faixas de rolamento das vias, e a velocidade. As afirmações fazem parte do mais recente estudo da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) da capital sobre o comportamento dos motociclistas na cidade, apresentado ontem no 1.º Fórum Segurança e Saúde, realizado na Faculdade de Medicina da USP.

Segundo o engenheiro Luiz de Carvalho Montans, gerente de Segurança no Trânsito da CET, o índice de mortalidade nas motos é de 5,49 mortos a cada 10 mil veículos, mais que o dobro do índice de mortalidade nos automóveis, que é de 1,97. No ano passado, o número de motociclistas mortos no trânsito paulistano voltou a crescer, subindo de 428 em 2009 para 478 em 2010.

Os dados da CET indicam que a forma de conduzir a moto pesa de forma decisiva no índice de mortalidade. Enquanto a maior parte dos acidentes com motocicletas (59%) acontece durante o dia, com picos nos horários de rush da manhã e da tarde, a maioria das mortes de usuários de motos (60%) está concentrada à noite. "Acidentes acontecem de dia, mas a mortalidade é à noite, quando o problema é excesso de velocidade", afirma Montans.

Além do excesso de velocidade, o tráfego entre as faixas de rolamento das vias também é um fator bastante significativo nas estatísticas: um a cada três (35%) acidentes fatais com motos ocorreu quando o motoqueiro trafegava nos corredores formados entre os veículos em circulação.

"Os motociclistas assumem esse risco por uma questão de máxima agilidade", diz o gerente da CET, lembrando que a participação da motocicleta no total de viagens diárias feitas na capital aumenta ano a ano - subiu de 0,71% em 1997 para 2,78% em 2007. "O motociclista entrou no trânsito de forma invisível, ocupando um espaço em que não se pode circular (na faixa, entre os carros)."

Para Eduardo Vasconcelos, consultor da Associação Nacional de Transportes Públicos, soluções passam pela reorganização do espaço. "A velocidade no trânsito tem de diminuir", diz Vasconcelos, que sugere alterações no Código de Trânsito Brasileiro. "Temos de mudar para não permitir a circulação entre as faixas."

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