Motoboys travam cidade e prometem novos protestos

Motofretistas tentaram adiar entrada em vigor hoje de multas por falta de curso e equipamentos; Contran diz que não dará novo prazo

CAIO DO VALLE, BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2013 | 02h03

Motoboys bloquearam ontem a Avenida Paulista e a Marginal do Pinheiros em protesto para adiar a entrada em vigor de novas medidas de segurança. Apesar de o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) pedir que ainda não sejam aplicadas as multas a motofretistas não adequados às novas regras, não adiantou. O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) manteve a decisão de começar hoje a fiscalização das motos de entrega no País. Condutores irregulares podem ser multados em R$ 191,54 e ter seus veículos apreendidos. Insatisfeita, a categoria prevê mais protestos.

Aliado à chuva, o protesto contribuiu para a cidade ter a maior lentidão do ano até agora: 187 km de congestionamento às 19h, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

Ontem, centenas de motociclistas profissionais interromperam, por quase duas horas, o fluxo de veículos na Avenida Paulista. O grupo de cerca de 350 motoqueiros, segundo a Polícia Militar, se concentrou em frente ao prédio do gabinete da Presidência da República, na esquina com a Rua Augusta. Ali, representantes do governo federal receberam um ofício de representantes dos motoboys pedindo que o prazo fosse adiado. As normas em vigência a partir de hoje preveem que motofretistas e mototaxistas passem por um curso preparatório de 30 horas e instalem equipamentos de segurança em suas motos, como antena corta-pipa.

Curso. Porém, somente 7% dos mais de 200 mil motoboys da capital paulista já fizeram o curso, que custa entre R$ 160 e R$ 200, dependendo do local em que é ministrado. A CET o oferece de graça, mas há poucas vagas.

"Na segunda-feira, se notarmos que muitos motoboys já tiverem sido multados, faremos um protesto até cinco vezes maior do que o primeiro", diz Gilberto Almeida dos Santos, presidente do Sindicato dos Mensageiros, Motociclistas e Ciclistas de São Paulo (Sindimoto-SP).

De acordo com ele, para quarta-feira, se o governo federal não decidir voltar atrás e adiar o prazo, outras manifestações ocorrerão em diversas capitais do Brasil. Ontem, motoboys já chegaram a parar o trânsito em Brasília. Na capital paulista, um grupo de motoqueiros travou o trânsito na Marginal do Pinheiros no início da noite, sentido Interlagos. O capitão Paulo Oliveira, do Comando de Policiamento do Trânsito (CPTran), da Polícia Militar, afirmou que haverá blitze para flagrar motoboys irregulares hoje e amanhã na capital.

O Detran informou que oferecerá mais 20 mil vagas para a formação de motoboys no Estado.

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