Motoboys fecham vias e exigências são adiadas

Novas regras ficaram para fevereiro; comboios bloquearam Paulista, Rebouças e Marginal

BRUNO RIBEIRO, CRISTIANE BOMFIM, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2012 | 03h04

O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) adiou pela terceira vez a adoção de normas mais rígidas para motoboys no País. Previstas para entrar em vigor amanhã, as regras foram prorrogadas para fevereiro. Horas antes da decisão, motociclistas fizeram bloqueios relâmpagos contra as normas, levando tumulto a vias como as Avenidas Paulista, Brigadeiro Faria Lima e Rebouças e, principalmente, à Marginal do Pinheiros. Lá, a Polícia Militar teve de usar bombas para dispersar os manifestantes.

As resoluções do Contran foram publicadas originalmente em 2010. O motivo de novo adiamento foi a falta de vagas para o curso obrigatório que os motoqueiros terão de fazer para trabalhar com motofrete. Sem o curso, os profissionais não podem receber licença municipal.

Como o Estado revelou há uma semana, só 2% dos motoboys da cidade haviam conseguido fazer o curso - e situação semelhante ocorria em todo o País. Sem a licença, os profissionais estavam sujeitos a penas que variavam de multa a apreensão da moto.

"Além da modificação no prazo de fiscalização, ficaram decididas outras duas importantes alterações", informou o Ministério das Cidades, em nota. A primeira é o aumento da lista de entidades que poderão oferecer os cursos. "Inicialmente, seriam realizados só pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Serviço Social do Transporte (Sest) e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat). Agora, poderão ser promovidos também pelos Centros de Formação de Condutores (CFCs) e por entidades de ensino, desde que comprovada a capacidade técnica necessária." A medida deve ampliar a oferta de vagas. A segunda alteração é que os cursos agora podem ser a distância.

Protestos. A série de manifestações contra as normas do Contran começou pouco depois das 15 horas e durou até o começo da noite. Andando em comboio e em baixa velocidade, os motoqueiros impediram o trânsito regular nas vias por onde passaram. Na Avenida Paulista, um tumulto envolvendo um grupo de manifestantes e policiais militares resultou em duas prisões. No Brooklin, zona sul, um carro da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) foi chutado por um manifestante.

Na Marginal do Pinheiros houve paralisações nos dois sentidos da via, perto das Pontes Eusébio Matoso e Octavio Frias de Oliveira. Na pista sentido Interlagos, perto do Jockey, um grupo de motoqueiros foi controlado com bombas de efeito moral. A Polícia Militar não confirmou se houve feridos ou prisões.

As manifestações começaram depois de uma assembleia do sindicato da categoria - que havia decidido não fazer protestos na próxima segunda, primeiro dia útil das regras. O pico de congestionamento, 146 quilômetros, ficou dentro da média da capital.

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