'Motoboy do YouTube' é acusado de atropelar e matar

Famoso por postar vídeos no YouTube nos quais desafia as leis de trânsito ao circular com motocicletas por São Paulo, o empresário Kleber Atalla, de 51 anos, é acusado de atropelar e matar um instalador elétrico de 53 anos. O atropelamento foi na Avenida Duque de Caxias, no centro, no dia 28. O empresário foi interrogado ontem pela Polícia Civil.

BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2013 | 02h05

Atalla, que é comerciante de peças de motos, estava de carro quando atropelou o instalador Antonio Faria da Costa ao fazer uma mudança de pistas proibida, no cruzamento da Duque de Caxias com a Alameda Campinas. A vítima ainda estava cruzando a faixa de pedestres e, naquele ponto, não há semáforo para o pedestre - o que, por lei, lhe garantia a preferência.

Faria da Costa foi acertado em cheio pelo carro. Ele ficou internado por nove dias na Santa Casa de Misericórdia, em Santa Cecília, mas não resistiu. A polícia reuniu imagens de estabelecimentos comerciais perto daquele ponto e tem todo o acidente registrado.

A Polícia Civil tem analisado também as imagens dos vídeos que o empresário colocou na internet. Em um deles, ele aparece guiando uma moto de mil cilindradas pela Avenida 23 de Maio. Em outro, ele circula pela zona sul até encontrar uma Ferrari na Avenida Brigadeiro Faria Lima, também na zona sul. As imagens mostram uma arrancada entre os veículos. Em outra, Atalla passa bem perto, de propósito, de um carro da Polícia Civil.

Assim, Atalla vai responder a dois processos diferentes. Um é o homicídio culposo (sem intenção) em relação à morte do instalador na Duque de Caxias. Por causa das imagens no YouTube, também vai ser indiciado por apologia ao crime. Ao todo, são mais de 20 vídeos, que somam cerca de 1 milhão de acessos.

Defesa. O depoimento do empresário ocorreu ontem no 3.º Distrito Policial (Santa Ifigênia). Atalla não quis dar entrevistas à imprensa. Seu advogado, Luiz Carlos Aguiar, diz acreditar que os vídeos possam comprometer a defesa do cliente na acusação de homicídio.

"Ele assume que fez os vídeos, não tem como negar. Mas é preciso que também se diga o lado positivo: ele também coloca vídeos orientando as pessoas a não usar drogas", diz o advogado. "Por outro lado, vamos argumentar que ele não faz apologia ao crime nos vídeos. Pelo contrário: ele fala para quem está assistindo não tentar repetir essas ações", afirma Aguiar.

Sobre o acidente que terminou na morte do instalador, o advogado disse que Atalla ficou para prestar socorro. "Foi ele quem chamou o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e a polícia. Quando os policiais chegaram, ele aguardou o fim da ocorrência no local do atropelamento por quatro horas. E foi visitar a família da vítima no hospital. Falou com a mulher, a filha e um pastor da igreja que eles frequentam."

Atalla, no entanto, argumenta que a manobra que resultou na morte de Costa não era proibida, segundo seu advogado. "Há uma proibição na via, mas é antes. Naquele ponto, não há proibição", afirma Aguiar.

O empresário mora a cerca de 200 metros do local do acidente. O advogado não soube dizer se a conversão que foi feita no dia da morte de Costa era praticada com frequência por Atalla. O advogado ressaltou que chovia naquele dia, o que poderia atrapalhar a visão do motorista.

O delegado Antonio Luiz Tuckumantel, titular do 3.º DP, afirma que já há indícios suficientes para concluir o caso. Ele deve aguardar apenas o envio dos laudos da Polícia Científica para denunciar Atalla.

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