Moto livra paulistano de até 6 dias de trânsito

Os sem-carro demoram 57 minutos para ir trabalhar, ante 47 minutos dos motorizados

Rodrigo Burgarelli e José Roberto de Toledo - O Estado de S.Paulo

26 Maio 2013 | 02h03

São Paulo é mais cruel com quem não tem carro ou moto. Paulistanos que vivem em domicílios sem nenhum veículo motorizado demoram quase duas horas a mais por semana no trânsito. Os sem-carro demoram em média 57 minutos para ir trabalhar, ante 47 minutos dos motorizados.

Em distritos como Jaguara, na zona oeste, a diferença de tempo perdido no tráfego é tão grande que quem tem moto chega a economizar quase 6 dias por ano em tempo que gastaria para chegar ao trabalho.

Os números fazem parte de estudo do Ibope em parceria com o Estadão Dados, com base nos questionários detalhados do Censo 2010. O levantamento faz parte da série 96xSP, que traz reportagens sobre a cidade e temas como migração, deslocamento e religião nos 96 distritos da cidade.

Os dados mostram que em bairros com grandes problemas de deslocamento, como Cidade Tiradentes, na zona leste, e Jardim Ângela, na zona sul, há pouca diferença no tempo gasto até o trabalho entre quem tem carro ou moto em casa e quem não tem nenhum dos dois. Os três modais representam deslocamento médio de 80 minutos - ou quase dois dias inteiros gastos por mês só no trajeto casa-trabalho.

Há, porém, bairros em que essa diferença é bem maior, como Perus, na zona norte, e Raposo Tavares e Jaguara, na zona oeste. Eles têm algo em comum: transporte público precário, mas proximidade de vias expressas importantes. No último, por exemplo, quem não tem carro ou moto demora 19 minutos a mais por trecho. Comprar uma moto lá, portanto, significa quase uma semana a mais de tempo livre ao longo de um ano, em média.

Melhor a pé. Por outro lado, há 14 bairros - como Sé, Itaim-Bibi e Moema - onde quem não tem carro ou moto demora menos do que quem tem. A principal explicação é que são bairros de uso misto, ou seja, têm uma relação equilibrada entre habitantes e empregos na mesma região. "São locais onde você não precisa fazer viagens enormes por falta de opção. As pessoas têm a oportunidade de ir ao trabalho a pé ou de bicicleta", diz Marcos Bicalho, presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP).

Mais conteúdo sobre:
trânsito estadão dados

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.