Moto faz politraumatismo triplicar em uma década

Total de vítimas atendidas com vários ferimentos no Estado subiu de 2.489, em 2002, para 8.274, em 2011

O Estado de S.Paulo

11 Janeiro 2013 | 02h02

O número de pessoas internadas em hospitais estaduais na Grande São Paulo por politraumatismos (ferimentos múltiplos causados por causas externas) triplicou na última década. O total de vítimas atendidas cresceu de 2.489, em 2002, para 8.274 em 2011, dado mais recente, divulgado ontem pela Secretaria de Estado da Saúde.

No Estado, também houve crescimento expressivo: de 6.342 para 14.214 no mesmo período, ou 124% de aumento. "No ano passado, o balanço parcial até setembro apontava 10.458 internações de politraumatizados no Estado, das quais 6.272 na capital e Grande São Paulo", diz a secretaria, em nota.

A causa do crescimento está relacionada principalmente com o aumento do número de motocicletas em circulação. Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito, a frota paulista de motos aumentou 196% - de 1,2 milhão para 3,6 milhões.

Técnicos da secretaria afirmam, de acordo com o Estado, que os prontos-socorros já tratam o assunto como uma "epidemia" e os feridos nos acidentes geralmente chegam aos hospitais em estado muito grave, o que se traduz em longos períodos de internação.

"Os prontos-socorros públicos vivenciaram, na última década, o surgimento de uma verdadeira epidemia de acidentes de trânsito, sobretudo de motociclistas, que lotam as emergências e são geralmente casos muito graves. Essa nova realidade exige das equipes de PS dos hospitais gerais a priorização do atendimento a esses pacientes, que costumam chegar em estado delicado, muitos correndo risco de morte", afirma, em nota do governo do Estado, a médica Magali Vicente Proença, diretora do Conjunto Hospitalar do Mandaqui, uma das maiores emergências da cidade, na zona norte.

Além dos prejuízos para as vítimas, o quadro também resulta em aumento de gastos da Saúde com os tratamentos complexos. Em 2002, o atendimento de casos de politraumatismo representou custo de R$ 8,3 milhões aos cofres públicos. Em 2011, esse valor chegou a R$ 27,7 milhões - 223% de aumento.

Fora o crescimento dos atendimentos na Grande São Paulo, a secretaria divulgou dados de 16 regiões do Estado. A área de Ribeirão Preto teve aumento de 168% e aparece em segundo lugar no ranking (de 202 para 543 internações). Em seguida, vem Sorocaba, com aumento de 156%. Apenas as regiões de Araraquara e Presidente Prudente tiveram redução nesse tipo de internação - na primeira de 4% (141 para 136 ocorrências) e na segunda de 24% (de 389, em 2002, para 297 em 2011).

Não foi informado quantos casos resultaram na morte do paciente. Na capital, até setembro (dado mais recente), 331 motociclistas morreram em acidentes, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego. / BRUNO RIBEIRO

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