Mostra vira confusão no Alto de Pinheiros

Evento ainda não tem alvará; moradores temem aumento de trânsito e violência

CAMILA BRUNELLI, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2012 | 03h02

Uma exposição de decoração está causando polêmica no Alto de Pinheiros, zona oeste. A Hyundai Mostra Black, programada para abrir neste domingo em um imóvel de 5 mil metros quadrados na Avenida Professor Fonseca Rodrigues, virou motivo de reclamação dos moradores. Eles dizem que o evento será um polo gerador de trânsito e trará insegurança para o bairro.

A mostra não tem alvará de funcionamento, mas os organizadores esperam obter o documento hoje. A expectativa é receber de 300 a 500 pessoas por dia. O diretor da exposição, Cesar Beckerman, explicou que todo o impacto foi planejado: os visitantes serão orientados a irem à mostra de táxi e aqueles que forem de carro terão opção de parar em um estacionamento próximo ou no Shopping Villa-Lobos. De lá, dez carros partirão para o evento.

"Nós sabemos como é esse público. É óbvio que eles não vão querer parar o carro no shopping, eles querem estacionar o mais próximo possível", disse a cineasta Suzana Villas Boas, de 50 anos, que mora na Rua Antonio de Gouveia Giudice, pacata via pertencente a uma Zona Estritamente Residencial (ZER), nos fundos da exposição. Na Avenida Professor Fonseca Rodrigues, porém, são permitidos eventos como exposições e mostras de arte.

Outros moradores, no entanto, são a favor do evento. É o caso do engenheiro José Camargo e Silva, de 83 anos. "Esse bairro é uma delícia, mas está muito engessado. Esse evento veio para dar uma ventilada na região", disse Silva, que mora no Alto de Pinheiros há 48 anos.

Autorização. A Subprefeitura de Pinheiros informou que o processo de alvará de autorização para o evento foi indeferido e que "o endereço informado para a realização do evento consta como Rua Orobó, classificada em ZER. Se o mesmo ocorrer, o local será multado por falta de alvará de autorização".

Advogado da Alui Soluções, empresa que foi contratada para fazer assessoria jurídica do evento, Marcos de Mello informou que havia pedido a licença à subprefeitura porque o "cálculo era de cerca de 400 pessoas por dia". Segundo ele, com um novo cálculo, chegando a 500, o alvará foi pedido no Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru), com o endereço da Avenida Professor Fonseca Rodrigues. Mello aposta que o alvará deverá sair ainda hoje.

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