Mostra no Rio revela raridades da Astronomia

Biblioteca Nacional expõe, em 'Olhares do Céu nos Livros Raros', 23 obras de astrônomos do século 13 ao 17

HELOISA ARUTH STURM / RIO , O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2012 | 02h03

O acervo é precioso. A Fundação Biblioteca Nacional exibe, em sua sede no centro do Rio, a exposição Olhares do Céu nos Livros Raros - uma mostra com 23 livros de Astronomia que compõem o acervo de obras singulares da instituição.

Fruto de uma parceria com o Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast), a exibição traz exemplares de trabalhos célebres de astrônomos dos séculos 13 a 17 - alguns afinados com o pensamento predominante do período, quando se acreditava que a Terra era o centro do universo, e outros com ideias inovadoras para a época e, por isso, perseguidos.

"A censura aos autores era recorrente. E, além de censurados, os livros eram destruídos", lembra a bibliotecária Ana Virgínia Pinheiro, que divide a curadoria com a historiadora Heloisa Meireles Gesteira, pesquisadora do Mast.

Ana destaca, dentre as raridades, um exemplar da obra de Andreas Cellarius, publicado em 1661, que pertenceu ao segmento de documentos estratégicos do Depósito-Geral da Guerra, organismo francês criado no século 17 para preservar a memória militar daquele país.

Confusão. Há também a primeira edição da obra Harmonia do Mundo, de 1622, considerada a mais importante do célebre estudioso alemão Johannes Kepler. Ali, ele relata sua teoria sobre a configuração harmônica dos planetas e a ideia de que os astros, em intervalos raros, poderiam emitir sons em conjunto.

Para demonstrar suas ideias precursoras, que podem ter sido influenciadas pelo pensamento de Pitágoras sobre a harmonia dos números, Kepler usa uma série de partituras na obra. Por isso, lembra Ana, o volume já foi catalogado por muitas bibliotecas, erroneamente, como um livro de música.

A mostra apresenta também uma viagem interplanetária. A obra, de Valentin Stansel, jesuíta que lecionou na Bahia no fim do século 17, é um grande diálogo travado entre três personagens que passeiam pelo espaço. Ao falarem sobre suas impressões a respeito dos céus e da Terra, os personagens expressam as ideias científicas do período.

Muitos dos astrônomos e cosmógrafos da exposição eram religiosos jesuítas e, sendo também professores, ajudavam a difundir a ciência.

É o caso de Louis Daniel Le Comte, que esteve na China no ano de 1685. Quando retornou à Europa, levou informações para o papa sobre o estado das missões e reproduziu, em um livro publicado alguns anos depois, a imagem de um observatório em Pequim.

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