Mostra em SP expõe chapéus nada retrô

Designer que viveu 20 anos na Europa apresenta em Pinheiros modelos inusitados

Valéria França, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2010 | 00h00

Chapeleira. Silvia Lucchi, no provador da exposição, com uma de suas criações na mão    

 

O museu do objeto brasileiro A CASA, em Pinheiros, zona oeste, abriu as portas para os paulistanos conhecerem o universo do chapéu. A exposição Na Cabeça reúne mais de 200 modelos elaborados em materiais e estilos diversos nas últimas duas décadas. São desenhos que já foram vendidos em lojas famosas como a Barneys, de Nova York.

Tratam-se de peças-piloto produzidas pela designer brasileira Silvia Lucchi, em seu ateliê na Holanda. Quem é Silvia? Conhecida dos fashionistas de carteirinha e desconhecida do público em geral, ela já esteve à frente do departamento de estilo de marcas importantes na década de 1980, como Fiorucci e Zoomp. No início da década de 1990, Silvia resolveu se dedicar apenas ao chapéus. Arrumou as malas, pegou o avião e montou seu ateliê na Holanda, onde se casou. "Mas a fabricação sempre se concentrou na Itália, país que oferece materiais nobres e mão de obra especializada", conta.

De tempos em tempos, Silvia passava pelo menos 15 dias concentrada nessas fábricas, participando da elaboração das formas. "Eu pesquiso o material e até chego a montar a peça inicial", explica. "Depois, o processo tem de ser industrial e contar com um acabamento perfeito, só dado por costureiras especializadas."

Matéria-prima. Na Europa, Silvia teve acesso a materiais inusitados. Entre eles, a palha de celofane, que deu origem a um modelo preto e sem abas. Por ser grosso e pouco maleável, o material foi cortado em quadrados pequenos e emendados por fios, dando o efeito de pastilhas brilhantes. "A matéria-prima é muito importante", diz Silvia.

Pensando nisso, a designer fez uma pesquisa mais profunda de materiais, o que a levou a um lote de palha de arroz, de fita, fabricado nos anos 40. A partir do entrelaçamento dessas fitas, Silvia criou um modelo bem feminino, inspirado na mesma década, em verde e vermelho. De tão maleável, a palha de longe parece tecido.

"Ela é muito macia. Uso muito a produzida em fios na confecção de chapéus masculinos e femininos. Mas os produtores muitas vezes enlouquecem, porque gosto de misturar fios de cores diferentes", diz a designer.

Há cinco anos, Silvia voltou para o Brasil e, sem contar com a mesma facilidade de encontrar materiais e mão de obra como na Europa, deixou a arte de produzir chapéus de lado. Agora, montou a exposição para que os brasileiros tivessem uma ideia do que ela fez lá fora durante esses anos. "O chapéu é mais forte que uma roupa. Você pode estar vestida de freira, mas, se coloca um modelo de cangaceiro na cabeça, vira um cangaceiro. Sou apaixonada pelo acessório."

Cada chapéu tem uma personalidade. Há modelos másculos, elegantemente arrojados, brincalhões e extremamente praianos. Para quem gosta de se divertir, Silvia montou na exposição dois grandes provadores, que parecem dois grandes chapéus. E só entrar e experimentar o modelo preferido. Mas não pode levar para casa. E não adianta querer comprar. Ela não vende. Todos fazem parte de seu acervo pessoal.

Serviço

NA CABEÇA, ATÉ 27 DE AGOSTO. LOCAL: A CASA - MUSEU DO OBJETO BRASILEIRO. ENDEREÇO: RUA CUNHA GAGO, 807, PINHEIROS, ZONA OESTE. TEL: 3814-9711. SITE PARA INFORMAÇÕES: WWW.ACASA.ORG.BR. HORÁRIO: DE SEGUNDA A SEXTA, DAS 10H ÀS 19H.

GRÁTIS

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