Felipe Rau/Estadão
Mosquitos invadem região do Rio Pinheiros e moradores fazem abaixo-assinado para tentar solucionar o problema. Felipe Rau/Estadão

Mosquitos invadem região do Rio Pinheiros e moradores fazem abaixo-assinado

Nas duas primeiras semanas de setembro, o canal 156 já recebeu 526 reclamações, ante 221 em todo o mês de agosto; Prefeitura informou que ações de monitoramento e controle são realizadas diariamente

Marina Aragão, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2020 | 07h49

A primavera ainda não chegou, mas o calor no fim do inverno de São Paulo já trouxe uma invasão de mosquitos na região do Rio Pinheiros, zona oeste da capital paulista. De acordo com a administração municipal, o Portal de Atendimento da Prefeitura 156 já recebeu 526 reclamações sobre os insetos apenas nas duas primeiras semanas de setembro, ante 221 em todo o mês de agosto. Em julho foram realizadas 331 solicitações. 

Moradores, que têm reclamado constantemente nas redes sociais, fizeram um abaixo-assinado para tentar solucionar a questão. Até o momento, o documento tem 27 mil assinaturas. "Solicito que os políticos e entidades da cidade de São Paulo verifiquem e façam a dedetização e também incluam em sua agenda periódica para população não pagar a conta com a sua saúde em risco", diz o texto da petição. 

A redatora Lívia Vasconcelos, de 31 anos, mora na Mourato Coelho há cerca de dois anos e meio e, segundo ela, nunca havia sentido na pele, literalmente, uma infestação de pernilongos nesta dimensão. A moradora disse que os mosquitos têm incomodado há umas duas semanas, mas, na última sexta-feira, 11, a situação ficou ainda pior. "Eu virei a noite, não consegui pregar o olho. Quando dormia, mais mosquito me picava. Eu estou com o corpo inteiro picado, braços, costas, pernas. Está muito calor. Imagina dormir com a janela fechada, com calça, casaco, cobertor, não tem condições", lamentou.

No sábado, Lívia contou que saiu para comprar ventilador, raquete elétrica e repelente corporal para tentar amenizar o problema. Lá se foram quase R$ 350. Além destes produtos, a redatora disse que também queria o repelente de tomada, mas não encontrou o suporte nos supermercados da região, apenas o refil. "Está parecendo o começo da pandemia, quando todo mundo foi comprar álcool gel e não tinha", comparou.

"Se pernilongo passasse coronavírus, Pinheiros era dizimada numa única noite", escreveu Lívia no Twitter, ao publicar fotos da ação dos mosquitos no seu corpo. Apesar de não transmitir o vírus da covid-19, os insetos podem causar outras doenças. "É um perigo para todo mundo. Não é só a picada que dói, a gente pode pegar alguma doença", ressaltou.

Veronica Bilyk, presidente da Associação de Moradores e Amigos dos Predinhos de Pinheiros (AMAPP), disse que começou a receber muita reclamação de moradores devido à infestação de mosquitos. Ela aponta que essa é uma situação atípica no que se refere à quantidade de insetos e à época do ano. "Nós fizemos um mutirão de ligações no 156 e no aplicativo, que é a maneira correta."

De acordo com Veronica, na última semana, a prefeitura fez a aplicação do fumacê por três dias. No entanto, a presidente da associação informou que os mosquitos ainda resistem e ponderou a ação "paliativa" e "danosa" da substância, ao citar o prejuízo aos agentes polinizadores e a alguns cachorros, que passam mal com o inseticida.

Procurada, a Prefeitura de São Paulo informou em nota que, por meio da Secretaria Municipal da Saúde, "realiza diariamente ações de monitoramento e controle preconizadas pelo Programa de Controle do Culex no Rio Pinheiros. A Unidade de Vigilância em Saúde (UVIS) Lapa/Pinheiros tem realizado ações de fumacê para o combate aos mosquitos, por meio de Ultra Volume Baixo (UBV) veicular em toda a região".

A prefeitura disse ainda que a aplicação de inseticida vem ocorrendo desde o início de agosto e continuará nas próximas semanas, cumprindo todos os critérios técnicos do programa. Dentre as ações preventivas realizadas estão: monitoramento quinzenal de todos os córregos pertencentes à área de abrangência da região; envio de relatórios mensais à Divisão de Vigilância em Zoonoses e à Subprefeitura local; solicitação de manutenção e limpeza de bueiros e galerias; vistorias nos endereços solicitados; mapeamento e diagnóstico de área, com o cruzamento de informações obtidas em vistorias; e aplicação de inseticida em áreas delimitadas.

A Secretaria Municipal das Subprefeituras informou também que realiza limpeza de córregos na região periodicamente. Desde janeiro deste ano, foram limpos 1.223.123 metros de extensão.

O governador João Doria (PSDB) publicou na manhã desta segunda-feira, 14, que o trabalho de despoluição do Rio Pinheiros continua em meio à pandemia do novo coronavírus. De acordo com ele, o local estará limpo até 31 de dezembro de 2022.

A Secretaria Estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente informou que a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE) vem executando ações complementares à secretaria municipal de Saúde ao longo do rio. "Nesta segunda, a empresa está aplicando larvicida biológico e removendo vegetação em alguns trechos do Pinheiros. Neste momento, os técnicos estão na altura da Usina São Paulo e devem seguir até o Canal Guarapiranga", disse a secretaria em nota.

"Desde 2019, início do Programa Novo Rio Pinheiros, a EMAE vem fazendo o desassoreamento (aprofundamento), a remoção de resíduos sólidos e de vegetação aquática, bem como a roçagem e limpeza dos taludes. Somente com desassoreamento, foram retirados 240.595 m³ de sedimentos. Sobre o lixo flutuante, já foram removidos mais de 12 mil toneladas de resíduos. Os contratos para coleta e tratamento de esgoto estão em andamento e já retiraram 6,7% da carga orgânica dos córregos da bacia, o que corresponde a quase 36 mil imóveis", complementou.

Outras regiões

Além das proximidades do Rio Pinheiros, os relatos também foram vistos em regiões mais distantes, como Butantã, Jardim Guedala e Instituto Previdência, que é o caso da assistente de marketing Juliana Leuenroth, de 35 anos. Ela mora no início da Raposo Tavares e ressalta a existência de um parque próximo à sua residência, que todo ano é foco de dengue

"Esse ano está muito fora do normal. A gente está no meio de uma pandemia e ainda entra essa questão. Você não consegue não ser picado. A gente se previne do corona [ficando em casa] e agora vem uma epidemia de dengue", lamenta Juliana, que vive com os pais. Eles também têm apelado para os repelentes e raquetes elétricas.

O Estadão pediu que os leitores mandassem relatos sobre o surto de mosquitos nas suas residências. Há reclamações no Parque da Mooca, Ipiranga, Cidade Jardim, Água Branca, Vila Romana, até em Guarulhos

"Um dos meus cachorros quase morreu porque as picadas nele desencadearam uma reação alérgica", disse um morador do Ipiranga. Já o leitor de Cidade Jardim disse que a situação no bairro está "impossível". Ciente da situação, outra leitora disse que morou na região do Rio Pinheiros de 1988 a 2005 e que "sempre foi assim".

Onde solicitar?

O canal de solicitação da Prefeitura de São Paulo é o Portal de Atendimento 156. O cidadão pode requerer o serviço de duas formas: pela aba "Serviços" ou em "Todos os serviços". Primeiramente, é preciso navegar por tema, assunto e serviço e consultar as informações específicas da Carta de Serviços (documento disponível no portal com informações sobre os serviços da prefeitura).

Quando o portal for um dos canais de abertura, basta clicar em "Solicitar". Ao fazer isso, o cidadão será convidado a se cadastrar ou, se já estiver cadastrado, a preencher os dados de acesso. Caso o serviço permita a solicitação anônima, essa etapa poderá ser dispensada. Se o portal não for um canal de abertura, a Carta informará em quais canais a solicitação poderá ser feita.

Além do portal, há o atendimento telefônico 24h para solicitações, reclamações e dúvidas sobre diversos assuntos relacionados à cidade de São Paulo. Se o solicitante estiver na capital paulista, pode ligar 156 (somente para telefones fixos, celulares DDD 11 e celulares de outros Estados, com a função roaming ativada).

Caso esteja em um município dentro da Grande São Paulo, é preciso discar 0800-011-0156 (somente para telefones fixos e celulares DDD 11). Se o cidadão não estiver na cidade de São Paulo e não tiver acesso a um telefone DDD 11, deve procurar o chat de atendimento do Portal de Atendimento SP 156.

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Como espantar pernilongos? Mosquitos atormentam entorno do Rio Pinheiros

O calor contribuiu para a proliferação do pernilongo e as queixas aumentaram na zona oeste da capital paulista. Veja respostas para perguntas comuns sobre o assunto

Larissa Gaspar, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2020 | 21h12

Os moradores da região do Rio Pinheiros fizeram 526 reclamações no Portal de Atendimento da Prefeitura sobre a proliferação de pernilongos nas duas primeiras de setembro. A Unidade de Vigilância em Saúde (UVIS) Lapa/Pinheiros tem realizado ações de fumacê para o combate aos mosquitos, mas as reclamações nas redes sociais são constantes. 

Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que articula com o governo do Estado a ampliação da ação conjunta para controle de pernilongos nas proximidades de córregos e rios. Na manhã desta segunda-feira, 14, foram realizadas ações casa a casa de combate ao Culex nas Ruas Itália, Suíça, Áustria e Dinamarca, localizadas na região de Pinheiros.

A Secretaria Municipal das Subprefeituras também realiza limpeza de córregos na região periodicamente. “Desde janeiro de 2020, foram limpos 2.695 metros de extensão na região de Pinheiros e 23.934 em Santo Amaro. Em toda a cidade, no mesmo período, 1.689.095 metros receberam a limpeza e remoção de detritos”, destaca a nota. 

Dentre as ações preventivas realizadas estão: monitoramento quinzenal; solicitação de manutenção e limpeza de bueiros e galerias; vistorias nos endereços solicitados; mapeamento e diagnóstico de área, com o cruzamento de informações obtidas em vistorias e aplicação de inseticida em áreas delimitadas. 

A aplicação de inseticida por meio de técnica para eliminar insetos rasteiros em grandes extensões, a termonebulização, ocorre desde o início de agosto e estão previstas aplicações nas próximas semanas. De acordo com a Prefeitura, nos últimos dois anos, o volume de pernilongos tem se mostrado estável. O pico na cidade ocorreu no ano de 2004. Em 2018 foi registrado um aumento na presença dos pernilongos, controlado pelas ações do Programa de Controle do Culex.

Confira abaixo como espantar os pernilongos domésticos e saiba o que causou a proliferação do inseto em São Paulo

De que espécie são os pernilongos?

Os pernilongos que estão perturbando moradores da região do Rio Pinheiros são da espécie Culex quinquefasciatus. 

O pernilongo causa alguma doença?

O pernilongo doméstico não é transmissor de doenças virais como a dengue, mas sua picada causa muita coceira. Nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, ele é o principal vetor da filariose humana, conhecida também como elefantíase. 

O que causou o aumento da incidência de pernilongos em São Paulo?

O calor contribui para a proliferação do pernilongo, fator que pode ser explicado pela elevação da temperatura na cidade de São Paulo na última semana. De acordo com Fabiano Duarte, biólogo e pesquisador da Fiocruz, o calor faz com que o metabolismo do inseto seja mais acelerado. “Em geral, o inseto tem ciclo de vida de até um mês, mas com as circunstâncias propícias esse tempo pode chegar até ¼ do tempo, ou seja o pernilongo vai de ovo a adulto em uma semana”. 

Além do calor, os criadouros auxiliam na proliferação do Culex. Qualquer água rica em matéria orgânica, como o Rio Pinheiros, serve como criadouro para a espécie do pernilongo. “Ao contrário do Aedes aegypti, o mosquito da dengue, um copo de água limpa dificilmente irá atrair o Culex”, complementa o biólogo. 

Como espantar os pernilongos?

A solução mais efetiva é a eliminação de criadouros. Este papel cabe à Prefeitura e ao governo do Estado com a despoluição do Rio Pinheiros e aplicação de larvicida biológico, mas a população pode contribuir não deixando água parada e não jogando lixo em córregos e bueiros. “É importante, também, a colaboração da população para evitar água parada dentro de casa e exposição de objetos que podem contribuir para a proliferação de mosquitos”, ressaltou a Prefeitura em nota. 

No ambiente privado, a indicação é fechar as janelas no fim da tarde - uma vez que o Culex possui hábitos noturnos- e voltar a abri-las à noite. Além disso, o uso de repelente pode ajudar a evitar as picadas. “O uso deve ser conforme descrito pelo fabricante. Lembrando que o repelente não é um inseticida que irá matar o pernilongo, então é importante deixar a porta aberta para que o pernilongo possa sair. A utilização de outros meios como borra de café ou limão para repelir o inseto não possuem comprovação científica”, explica Fabiano Duarte. Além disso, instalar uma barreira mecânica como telas pode ajudar a espantar os pernilongos. 

Como fazer uma reclamação?

O canal de solicitação da Prefeitura de São Paulo é o Portal de Atendimento 156. O cidadão pode requerer o serviço de duas formas: pela aba "Serviços" ou em "Todos os serviços". Primeiramente, é preciso navegar por tema, assunto e serviço e consultar as informações específicas da Carta de Serviços (documento disponível no portal com informações sobre os serviços da prefeitura).

Quando o portal for um dos canais de abertura, basta clicar em "Solicitar". Ao fazer isso, o cidadão será convidado a se cadastrar ou, se já estiver cadastrado, a preencher os dados de acesso. Caso o serviço permita a solicitação anônima, essa etapa poderá ser dispensada. Se o portal não for um canal de abertura, a Carta informará em quais canais a solicitação poderá ser feita.

Além do portal, há o atendimento telefônico 24h para solicitações, reclamações e dúvidas sobre diversos assuntos relacionados à cidade de São Paulo. Se o solicitante estiver na capital paulista, pode ligar 156 (somente para telefones fixos, celulares DDD 11 e celulares de outros Estados, com a função roaming ativada).

Caso esteja em um município dentro da Grande São Paulo, é preciso discar 0800-011-0156 (somente para telefones fixos e celulares DDD 11). Se o cidadão não estiver na cidade de São Paulo e não tiver acesso a um telefone DDD 11, deve procurar o chat de atendimento do Portal de Atendimento SP 156.  
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